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Gerenciamento Estratégico

Metodologia ágil ou tradicional: porque não as duas?

Os modelos ágeis de gestão vem ganhando cada vez mais espaço nas organizações, mas nem sempre são bem aceitas ou entendidas por gerentes/executivos acostumados com o gerenciamento de projetos no modelo tradicional (em cascata, ou waterfall). As discussões sobre vantagens e desvantagens de cada modelo são, muitas vezes, inflamadas e polarizadas, onde cada um dos lados tenta doutrinar o outro.

Por mais que cada modelo ofereça uma série de vantagens e desvantagens (que devem ser avaliadas por cada organização e, mais especificamente, cada tipo de projeto) o que eu tenho visto é que a implementação “pura” de um modelo ou de outro é muito rara. Poucos são os lugares onde o gerenciamento do projeto segue dogmaticamente os preceitos (“boas práticas”) listadas no PMBoK ou que executem todos os seus projetos usando Scrum, por exemplo. Se olharmos criticamente um conjunto de projetos de determinada empresa é muito provável que vejamos a utilização de práticas de ambos modelos.

O objetivo desse post é compartilhar uma experiência onde tive a oportunidade de trabalhar com os dois modelos simultaneamente no mesmo projeto, e discutir sobre os ganhos percebidos, dificuldades encontradas e adaptações (tailoring) necessárias.

Histórico do projeto

O projeto tratava do desenvolvimento de uma inovação em um produto do cliente, cuja janela de inserção no mercado era bem definida (e restrita). Os requisitos do sistema, por sua vez, eram bastante complexos, e ainda não totalmente especificados (o que ocorreu ao longo do projeto).

Devido à importância estratégica do projeto o cliente necessitava validar entregas parciais e ter algumas funcionalidades implementadas em versões de demonstração do produto para ser utilizado em “Road Shows”. Assim, uma das ações para garantir a execução desse trabalho foi o estabelecimento de um contrato para a alocação de um time de tamanho fixo durante um período determinado.

Considerando as características do projeto o modelo de desenvolvimento escolhido foi o Scrum, uma vez que este permitiria tratar o desenvolvimento do produto de forma incremental e ainda assim garantir a qualidade do produto e do processo (outro requisito importante para o cliente).

No entanto, apesar de entender o funcionamento do modelo “puro” do Scrum o cliente demandou um acompanhamento nos moldes tradicionais, considerando um projeto “waterfall” e artefatos previstos no modelo de maturidade CMMi. Com isso, por exemplo, foram criados o cronograma macro de entregas descrito em um gráfico de Gantt, algumas métricas de acompanhamento de valor agregado e relatórios de status semanais.

Desafios

Em virtude dessa gestão “mista” foi necessário avaliar processos e práticas das duas correntes de pensamento e avaliar criticamente o uso das mesmas no projeto, tendo em mente a não duplicação do trabalho e a otimização do tempo e esforço para a gestão do projeto, com a garantia do atendimento das expectativas dos stakeholders.

Como resultado dessa análise alguns processos tiveram de ser adaptados. Já alguns outros continuaram a ser executados da mesma maneira, uma vez que o resultado produzido era o mesmo ou não apresentava diferenças significativas usando um dos métodos.

Os ajustes no processo foram sendo feitos e validados com o cliente ao longo do projeto, com o consequente mapeamento das práticas e grupos de processos de modo a gerenciar o projeto de forma eficiente.

A prática 

As principais disciplinas exercidas durante o projeto estão listadas a seguir, juntamente com uma explanação de como elas foram executadas.

Gestão do escopo

O escopo do projeto foi dividido em pacotes de trabalho, sendo que cada requisito foi detalhado pelo analista de requisitos para a criação do product backlog do projeto. No entanto, diferentemente de um projeto ágil puro, toda a quebra dos requisitos em estórias e atividades foi feita durante o planejamento do projeto e o backlog resultante foi usado como guia para o planejamento das iterações (sprints).

Quaisquer mudanças nos requisitos do projeto, seja por entendimento dos mesmos ou por alteração do escopo original, foram tratadas através de um procedimento de “Solicitações de Mudança” (Change Requests), onde as mudanças eram analisadas, detalhadas e incluídas no product backlog.

Gestão do cronograma

Apesar do projeto ter sido executado usando Scrum o conteúdo de cada iteração foi definido com base na priorização do backlog feita pelo Product Owner ainda durante a fase de planejamento. Como o conteúdo de cada iteração estava, em grande parte, definido de antemão a reunião de planejamento de cada sprint focava no balanceamento de volume de trabalho (esforço) e força produtiva disponível (capacidade), além de fazer adaptações necessárias na velocidade do time e incorporação de atividades remanejadas de outros sprints.

Como o Gerente de Projetos do cliente precisava ter visibilidade do projeto como um todo, foi criado um cronograma no MS-Project para acompanhar a execução de cada requisito, sendo que os milestones definidos continham um subconjunto de requisitos que seriam implementados. O cronograma era acompanhado com base no progresso dos sprints, e servia como referência para coleta de métricas do projeto.

O acompanhamento do projeto se dava tanto pelo cronograma de funcionalidades quanto pelo gráfico de burndown de cada sprint. Os dados do cronograma eram usados para informar o progresso do projeto como um todo, enquanto o burndown indicava o progresso de cada sprint.

Gestão do custo

Como o time de projeto era fixo a gestão dos custos do projeto limitou-se ao controle de despesas, o que simplificou a tarefa. Os índices de valor agregado derivavam diretamente dos dados inseridos no MS-Project.

Gestão da comunicação

O plano de comunicação foi criado no início do projeto após a identificação de todos os stakeholders. Para cada tipo de informação a ser divulgada foi definida a periodicidade e sua audiência, bem como o propósito e o responsável pela coleta e divulgação de cada informação. O time de projeto era informado regularmente através das reuniões diárias e demais cerimônias (planning, review) do sprint. Já a alta gerência e o cliente eram informados através de relatórios semanais de progresso.

Um mapa com papéis e responsabilidades de cada stakeholder foi criado e divulgado, de modo a tornar público todos os canais de informação do projeto.

Gestão de riscos

O processo de identificação e análise qualitativa dos riscos, bem como o planejamento de resposta aos mesmos, seguiu o processo tradicional, com o uso de uma planilha de acompanhamento atualizada semanalmente, sendo que o time e demais stakeholders eram envolvidos no processo através das reuniões diárias, reuniões periódicas de status e cerimônias do Scrum.

Gestão da qualidade

O projeto seguiu um processo de desenvolvimento aderente ao CMMi e foi acompanhado por um analista da área de Qualidade, que auditava periodicamente (a cada final de sprint) as entregas (artefatos) do mesmo. A qualidade era garantida através da criação e acompanhamento de itens de “Não Conformidade” em ferramenta específica, que eram enviados ao cliente mensalmente.

Gestão de RH:

A alocação de pessoas foi facilitada pelo fato do time ter um tamanho fixo ao longo de todo o projeto. Como a estrutura da empresa é do tipo matricial o gerente funcional era responsável pela alocação das pessoas, mas uma vez definido o time com as habilidades necessárias (com base no escopo definido) o esforço de gestão foi reduzido, limitando-se ao planejamento e controle de ausências ocasionais e períodos de férias, bem como, obviamente, ao acompanhamento do desempenho dos membros da equipe.

Gestão de aquisições:

Não foi necessário durante o projeto.

Conclusão

A amostra de projetos executados com essa metodologia é pequena e limitada aos projetos que eu gerenciei para esse cliente específico mas, apesar do trabalho inicial de análise ter tomado algum tempo, os resultados foram bastante satisfatórios.

O gerente de projetos do cliente ficou satisfeito por ter a visibilidade que precisava, e os produtos dos projetos foram entregues no prazo e com qualidade necessária. Um resultado adicional, que comprova a eficiência do modelo, é que ele tem sido adotado inclusive por outros parceiros com quem esse cliente executa projetos.

E você, tem alguma experiência desse tipo?

Eamon Sousa

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O Sim, O Não e O Talvez

Por Giovani Faria

Enquanto gerente de projetos você deve ser frequentemente questionado, por exemplo:

  • a aceitar novos desafios (projetos para gerenciar)
  • a dar seu parecer/opinião sobre determinado assunto (problema) relacionado ao projeto
  • a fornecer sua visão de como pode (ou deve) ser o andamento do projeto
  • etc.

Assim, em um ambiente dinâmico de gerenciamento de projetos (projetos, portfólios e programas) a gama de demandas deve ser praticamente ‘infinita’, ou então, ser acima de sua capacidade física-mental-temporal de gestão.

Pois bem, quer seja nas ‘condições normais de temperatura e pressão – CNTP’, ou neste contexto onde você pode ser chamado a atender demandas prioritárias (ou urgentes) para a organização que representa, uma simples resposta SIM ou NÃO pode (e provavelmente, vai) fazer toda a diferença.

Existem vários posts na blogosfera ‘ensinando’ ao GP como dizer NÃO para diferentes ‘entidades’, como por exemplo:

  • a organização onde trabalha: rejeitando um novo trabalho ou um recurso (humano, infra, etc) para um projeto em andamento.
  • o sponsor do projeto: rejeitando o prazo estipulado para o projeto ou o orçamento previsto.
  • o cliente: negando atender a alguma demanda que possa provocar algum distúrbio no andamento do projeto (ou favorecer a ocorrência de um risco em potencial).
  • o time: barrando um pedido de férias, promoção, etc.

Novamente, as circunstâncias são várias e as consequências desse negativa (desse NÃO) podem ser catastróficas, senão, fontes de grandes dores de cabeça e longas discussões (e reuniões).

Por outro lado, simplesmente aceitar (dizer SIM) não é garantia da ausência de cefaléia e da necessidade, novamente, de muita conversa (e negociação) para deixar tudo nos trilhos novamente. Esse ‘inofensivo’ SIM pode, por exemplo, demandar um replanejamento de uma porção grande do projeto (já que você, por exemplo, teria aceitado antecipar uma entrega futura).

O TALVEZ parece, num primeiro momento, ser uma reposta um tanto quanto neutra, ou mesmo extremamente vaga e evasiva. Além disso, dependendo da maneira como é esta resposta é colocada na discussão pode ser, imediatamente, entendida como um SIM ‘disfarçado’, ou então, como um NÃO ‘cauteloso’.

O TALVEZ deve ser utilizado como uma estratégia de ganhar um pouco mais de tempo para a análise e coleta de informações e deve sempre vir acompanhado de um plano de ação. Por exemplo, a resposta poderia ser: “Vou verificar a informação xyz e solicitar uma posição do departamento xpto. Depois disso, até o meio da próxima semana, vou agendar uma reunião para fecharmos o assunto e decidir pela sua continuidade (SIM) ou NÃO.”.

Neste contexto, o TALVEZ é a ‘saída pela direita’, um subterfúgio estratégico para lhe permitir analisar melhor e ter mais dados, parâmetros e segurança para decidir (mesmo porque, em alguns casos, essa decisão pode exceder seu limite de autoridade e de responsabilidade).

Agora, embora você possa estar na posição da vidraça, onde é o alvo da maioria (senão de todas) as demandas, um bom artifício é procurar ‘virar o jogo’ a seu favor. Ou seja, com cuidado, lógica e estratégia, procurar fazer também perguntas, questionamentos e solicitações que, embora sejam pertinentes e visem atender de maneira mais completa (e profissional) a demanda inicialmente recebida, acaba por lhe proporcionar uma condição onde o lado requisitante, mesmo sendo a origem do ‘problema’ (demanda), é chamado a participar de forma ativa na solução.

Resumindo: o GP não deve, necessariamente, dizer SIM para tudo. Nem tampouco, dizer NÃO sempre. Pode até usar o TALVEZ como estratégia para ganhar tempo (e usar suas competências analíticas de forma mais estruturada). Entretanto, SEMPRE deve ter uma resposta (ou argumento) consistente, ou seja, mostrar que entende e está no controle da situação.

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Você É ou você Está GP?

Por Giovani Faria

Você É (categoria 1): signifca que, além da vontade, você possui as habilidades e competências necessárias para o desempenho da função. Ou seja, você tem o perfil exigido pelo cargo (ou função).

Você Está (categoria 2): pode significar que, num belo dia de chuva, depois de ter perdido o fretado da empresa e ter gasto muito tempo e $$ pra chegar ao trabalho, você é surpreendido com uma notícia inesperada. “Parabéns Fulano de Tal, você acaba de ser indicado para a vaga de Gerente de Projeto!”.

Se você se enquadra no primeiro caso, bem, sem problemas. Agora, se o fato de ter nascido no dia 13 de agosto às 13:13h, de parto natural com fórceps o levou por um caminho onde nem trevo de 7 folhas, nem pé de coelho verde são capazes de dar jeito. Parabéns, você acaba de ganhar um abacaxi azedo com casca de ouriço do mar. Então, depois de tomar um banho de sal grosso e colocar um galho de arruda atrás da orelha, trate de arregaçar as mangas e fazer sua parte. Ou então, com muito jeitinho “Pede pra Sair!!!”.

Claro que existe uma terceira categoria de indivíduos que estão GPs (mesmo sem o serem), e que estão curtindo esta situação. Neste caso, quem não fica nada contente é  equipe, mas isso é assunto para outro post…quem sabe.

Mas o objetivo desse post é tentar traçar um caminho ‘natural’ para desempenhar bem a função. Para isso, vou listar algumas ‘fases’ desse processo:

  1. Descobrir sua aptidão.
  2. Absorver conhecimento.
  3. Desenvolver habilidades.
  4. Ganhar experiência.
  5. Conseguir reconhecimento.

A primeira fase não deve seguir necessariamente algum método científico e estruturado (embora você possa lançar mão desse tipo de recurso através de uma consultoria especializada em carreira). Aqui, a pessoa simplesmente se convence de que quer ser gerente de projetos. Talvez por se espelhar em alguém, ou porque acordou de mau humor e resolveu que de agora em diante quer ‘mandar’, e ponto.

Já a fase seguinte é mais fácil de estruturar (claro que um pouco de aconselhamento e suporte são bem vindos). A literatura disponível nos livros, sites especializados ou blogs é de grande valia. Mas, é preciso cuidado para escolher de onde tirar informação e, também muito importante, em que sequência estudar os diferentes tópicos envolvidos. O PMBoK por exemplo, tem uma ótima estrutura, mas, deve assustar quem está iniciando. Neste passo, recomendo livros mais ‘didáticos’, que introduzam o tema gerenciamento de projetos de uma maneira mais interessante (e talvez até mesmo, lúdica), unindo teoria e exemplos práticos para aplicação. Um livro que acho interessante é: Administração de Projetos (embora existam vários outros que possam ser utilizados como referência).

A próxima fase (3) – desenvolver habilidades – vai exigir, além de estudo, a possibilidade de vivenciar um ambiente de desenvolvimento de projetos para observar a maneira como ‘as coisas acontecem’, as ações tomadas e os resultados (e consequências) alcançados. Neste ponto o aprendiz de gerente de projeto pode, por exemplo, tanto ser um dos membros da equipe (um desenvolvedor), que observa o andamento do projeto sobre um outro ponto de vista (e não somente com a atenção voltada para seus itens de trabalho); como também pode ser um assistente de projetos que vai trabalhar diretamente com o gerente responsável na condução do projeto.

A fase 4 é bastante parecida com a anterior, mas aqui é importante que o aprendiz (ou gerente Jr) seja realmente o gerente do projeto. Assim, além de ter aumentada sua responsabilidade, passa a influenciar mais decisivamente no andamento e resultados do projeto (e principalmente, ‘sofre’ as consequências de ações inadequadas).

Este conjunto de fases deve lhe trazer segurança e maturidade na condução dos projetos. Neste sentido é preciso que você se avalie (de maneira isenta e, se possível, científica) e identifique suas forças (diferenciais) e fraquezas (habilidades a serem desenvolvidas), para ir corrigindo sua capacitação (e carreira).

Mas, de que adianta você ‘se achar’ ‘o cara’ se ninguém mais acha isso? Em um primeiro instante, seus subordinados (sua equipe de projeto) precisam reconhecê-lo como sendo um bom gestor de projetos. Além disso, seus pares (outros gerentes) e seus superiores também precisam ter visibilidade e respeito pelo seu trabalho. Além disso, num nível mais abrangente da fase 5, o mercado precisa conhecer e valorizar seu trabalho. Esta é a última, e talvez mais desafiante, fase de uma carreira bem sucedida (não só em gerenciamento de projetos).

Creio que dê para notar que cada fase em si já representa um desafio. E mais ainda, a evolução na carreira vai tornando as ações necessárias para a concretização de suas fases cada vez complexas.

E obviamente que um profissional atualizado vai acabar achando uma 6a, 7a,…. fase para continuar evoluindo.

Giovani Faria

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Melhores Posts – Retrospectiva 2010

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Avaliação de Desempenho de Projetos
Milestones
Motivação, Criatividade, Espírito de Equipe
Dicas para um bom Gerenciamento de Projetos
Gerenciamento de Desastres – Exemplo Haiti

@gerenciamentoestrategico

Gerenciando projetos simultâneos

É cada vez mais comum a situação onde um Gerente de Projetos precisa gerenciar vários projetos simultaneamente. Apesar de não ser baseada em dados científicos, essa constatação é baseada em minha experiência e na de meu círculo de relacionamentos. Essa percepção também foi confirmada pelos leitores do blog em uma pesquisa que realizamos, onde mais de 60% dos leitores tem sob sua responsabilidade mais de 2 projetos simultâneos…

Essa situação, que em uma análise mais superficial traz somente dificuldades e pontos de atenção pode também apresentar algumas vantagens para o gerente de projetos. As vantagens e desvantagens do gerenciamento simultâneo de vários projetos estão resumidas a seguir:

Algumas vantagens:

+ Possibilidade de otimização no uso de recursos (compartilhamento de recursos entre projetos) – o gerente pode, para mitigar um risco ou atender a uma demanda urgente de um de seus projetos, promover uma movimentação planejada de recursos entre os projetos.

+ Exercício constante da disciplina de gerenciamento de projetos – é possível que cada projeto esteja em uma fase diferente, o que permite ao gerente de projetos exercitar todas as fases do ciclo de vida dos projetos e aproveitar os ganhos decorrentes das sinergias.

+ Lessons Learned – uma lição aprendida em um projeto pode vir a ser aplicada imediatamente em outro(s), o que aumenta as chances de sucesso.

+ Valorização profissional – as habilidades de trabalhar sob pressão e com atenção aos detalhes são valorizadas e desejadas no mercado.

Algumas desvantagens:

- Maior necessidade de atenção por parte do gerente – o gerente de projetos não pode se descuidar de nenhum aspecto de seus vários projetos, o que demanda uma alta capacidade de foco seletivo e controle.

- Maior competição por recursos – fatalmente uma hora ou outra as prioridades dos vários projetos vão se chocar, o que vai exigir um maior controle dos riscos.

- Mais stakeholders para atender – cada projeto tem seu conjunto de stakeholders, que visam os interesses de seus próprios projetos. Além de ter de cuidar dos interesses de cada stakeholder o gerente de projetos ainda pode conviver com a situação onde um mesmo stakeholder tenha interesse em mais um projeto (alta probabilidade de conflitos).

- Pressão, muita pressão – ao invés de ser cobrado pelos resultados de apenas um projeto a pressão cresce proporcionalmente com o aumento de sua responsabilidade.

Um dos maiores desafios enfrentados em uma situação onde há vários assuntos disputando sua atenção é manter todos os projetos sob controle e não deixar nenhum detalhe sem a atenção devida. Mesmo projetos pequenos, ou os pouco complexos, demandam a atenção do gerente de projetos para aspectos tais como: comunicação com o time e demais stakeholders, controle dos custos, cumprimento de prazos e monitoramento de riscos.

Não existe maneira certa ou errada de controlar o que acontece no seu projeto, mas existem algumas técnicas para facilitar seu trabalho. O mais comum pode ser usar uma planilha onde você lista cada aspecto que possa ser de interesse. Participei recentemente de um seminário onde a palestrante sugeria o uso de uma tabela com as características de cada projeto, tais como: principais stakeholders, riscos, escopo em alto nível, etc. Basicamente, trata-se de um Project Charter resumido de todos os projetos, como pode ser visto na tabela abaixo:

Project A Project B Project C Project x
Stakeholders
Business Analysis
Requirements
Scope
Delivey dates
Risks
Team

Apesar de servir para dar visibilidade da razão de cada projeto, o modelo apresentado não é útil para o controle das atividades do dia a dia. Para controlar todos os pontos de atenção em meus projetos eu prefiro usar uma planilha específica, como o modelo disponibilizado para download.

O uso de algum mecanismo de controle é essencial para ajudar o gerente de projetos a manter-se atualizado sobre as demandas e necessidades de cada projeto, evitando assim o micro-gerenciamento e a falta de objetividade de análises e ações. O método a ser adotado depende de preferências pessoais mas o objetivo final deve ser um maior nível de controle sobre as atividades em curso, sempre com o intuito de facilitar a gestão e entregar o resultado esperado ao final do projeto.

Eamon L. Sousa

Treinamento em Gerenciamento de Projetos

Como Escolher um Treinamento em Gerenciamento de Projetos !?

Em qualquer carreira, manter-se atualizado é sempre interessante, senão, obrigatório. E quando se trata de Gerenciamento de Projetos, a situação não é diferente.

Entretanto, escolher um treinamento que seja adequado às suas necessidades e que agregue valor à sua carreira não é tarefa fácil. A ampla disponibilidade de cursos e assuntos, embora proporcione variedade para a escolha, exige do profissional um certo esforço para decidir que caminho escolher.

Para ajudar nesta análise apresento neste post algumas considerações a serem feitas. Dentre elas:

  • A empresa (ou profissional) que está oferecendo o curso tem conhecimento do assunto?
  • Você procura por embasamento teório ou exemplos práticos no assunto de interesse?
  • A ementa é atrativa e está alinhada com as tendências e melhores práticas reconhecidas mundialmente?
  • Quais são os recursos disponíveis para o treinamento? Espaço físico, dinâmica das atividades e material didático?
  • E a duração do treinamento? Está adequada à quantidade de tópicos presentes no conteúdo a ser desenvolvido?

Ter resposta para todas estes questionamentos seria a situação ideal para ter confiança de que seu tempo e o investimento financeiro envolvidos vão ser recompensados. Em outras palavras, avaliar se a relação custo / benefício está favorável o sufciente para a sua tomada de decisão.

Outro aspecto que pode ser levado em consideração além do aprimoramento (novos conhecimentos), é que a participação em treinamentos, workshops, conferências e etc. na sua área de atuação (atual ou futura) normalmente favorece outro ganho pessoal e profissional que é a ampliação (ou fortalecimento) de sua rede de contatos. Nestes eventos, pessoas com interesses comuns acabam por se encontrar e tem a possibilidade de estabelecer um relacionamento profissional produtivo para as partes.

Então, antes de escolher qual treinamento é o mais adequado, tenha claros:

  • Quais são suas expectativas com o treinamento.
  • Aplicabilidade do tema do treinamento no seu dia a dia.
  • Benefícios esperados (conhecimento, networking, etc.).

E finalmente, mantenha-se atualizado profissionalmente procurando informar-se sobre as tendências e demandas para sua carreira. Além disso, estabeleça um plano que proporcione condições para seu crescimento profissional.

Giovani Faria

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Entrevista com A Gerente

Dia 8 de março é o Dia Internacional da Mulher, e nada melhor do que conhecer a visão delas em sobre o Gerenciamento de Projetos. Conversei com duas delas e tentei descobrir como agem e o que sentem, abaixo um resumo das respostas…

Apesar das mulheres serem minoria, existe um avanço da presença feminina nos cargos de gerência, isso é percebido pelas mulheres também?

Sim. Nos últimos anos as mulheres têm se destacado na ocupação de funções gerenciais, não só no Brasil e tem conquistado maior igualdade salarial se comparado aos homens na mesma posição. Acredito que esse seja um processo de evolução natural, embora existam ainda algumas dificuldades.

Existem muitas situações em que, na posição de gerente, você acaba sendo a única mulher no meio de muitos homens. Como é enfrentar uma situação dessas?
O fato de ser mulher nunca me atrapalhou. Mas acredito que o mais importante foi estar preparada para qualquer tipo de situação. Sinto que conseguimos um ambiente de maior respeito e educação até maiores do que aqueles onde um homem está à frente.

Gerenciar a vida profissional e pessoal é um desafio?
Acredito que no passado deva ter sido, hoje há um equilibrio em casa e dividimos as responsabilidades, ninguém sai perdendo. Família e trabalho podem viver juntos desde que haja esse equilíbrio.

O que uma mulher precisa na hora de gerenciar? 
Bom senso, planejamento e controle. Acredito que isso não mude seja uma mulher ou um homem no gerenciamento. É preciso conhecer os aspectos técnicos do negócio, estratégias, mercado etc. Por isso, outro fator fundamental é ter uma excelente equipe.

Quero ser Gerente de Projetos

Olás, 

Recentemente alguns alunos meus do curso de graduação em Engenharia de Computação e outras pessoas do meu networking me questionaram sobre “Qual o caminho a seguir para se tornar um Gerente de Projetos?”. Para tentar contribuir com este assunto, pedi que me enviassem seus questionamentos e dúvidas a este respeito. Na sequência, apresento algumas dessas perguntas e minhas contribuições para as respostas. 

P. Para se tornar um Gerente de Projetos é necessário ser graduado em algum curso específico (como Administração ou Engenharia)? 

R. Mais do que a formação em uma área específica, a pessoa que almeja exercer a função de Gerente de Projetos precisa ter perfil e desenvolver as competências e habilidades necessárias. Obviamente, alguns cursos de graduação tratam de forma mais profunda temas relacionados ao gerenciamento de projetos (ex. finanças). Em um post recente, tratei sobre o tema “Gerente de Projetos – Competências e Habilidades” e creio que seja uma interessante fonte de consulta. 

P. Certificação PMP ou MBA em Gerenciamento de Projetos? O que é melhor fazer? 

R. Uma escolha não necessariamente exlui a outra. Acredito que a pós graduação seja interessante para fornecer embasamento teórico no campo do Gerenciamento de Projetos, mas, não consegue fornecer experiência. Outro ponto de atenção, é que os cursos de MBA em Gestão de Projetos costumam seguir a estrutura do PMBoK, o que pode acabar se tornando repetitivo caso você decida pelo MBA em Gestão de Projetos e a certificação PMP. Nesse caso, um MBA mais genérico (gestão empresarial, por exemplo) pode ser mais interessante e fazer a diferença. O PMBoK por exemplo, embora seja um guia muito valioso e reconhecido, não é exatamente ‘prático’ no sentido de que você precisa ter experiência/vivência em gerenciamento de projetos para poder utilizá-lo de forma mais ampla e eficiente. Vejo que muitas vagas do mercado de trabalho valorizam a pós-graduação (em gestão, MBA, etc). Já as certificaçãos (PMP, por exemplo), como o próprio nome diz, certificam/atestam seu conhecimento o gerenciamento de projetos sob o ponto de vista do PMBoK. A escolha entre um ou outro (ou os dois) depende muito do mercado de atuação e suas demandas específicas. Sobre esta e outras certificações, consulte post “Certificações em Gerenciamento de Projetos”. 

P. Como sair do “anonimato”, ocupando um cargo técnico, para se tornar Gerente de projetos? 

R. Esta me parece ser a pergunta mais complexa de todas, uma vez que cada mercado, e mais especificamente, cada empresa, trata o desenvolvimento da carreira de seus profissionais de forma diferente. Mas, acredito que independentemente desses aspectos específicos, a palavra de ordem seja Capacitação. Isto é, se o objetivo é se tornar efetivamente um Gerente de Projetos você deve desenvolver as competências e habilidades necessárias. Além disso, é preciso se expor, assumir responsabilidades e, principalmente, mostrar resultados. Conheço vários casos onde pessoas com cargo técnico (desenvolvedores) que, com o tempo, passaram a assumir posições de liderança dentro de seus times, ficando com a responsabilidade de coordenação técnica (Sugestão de post: “Liderando Equipes de Projeto“). Com o passar do tempo, e o surgimento de oportunidades, essas pessoas acabaram por ser a ‘escolha natural’ para o cargo, uma vez que tiveram a oportunidade de mostrar seu valor para a organização. 

P. Um Gerente de Projetos precisa ser muito criativo e saber ‘muito de tudo’? 

R. Saber muito de tudo é uma intenção bastante ousada. Claro que se pode chegar muito próximo disso, mas, creio que seja mais efetivo focar em saber o suficiente. Ou seja, analisar e ver as áreas de maior importância para os tipos de projeto em que se trabalha e desenvolver o conhecimento necessário. Esta análise deve ser bastante influenciada pelo tipo de organização em que se trabalha, onde por exemplo, pode existir um PMO (Escritório de Projetos) que fornece, diferentes níveis de suporte ao gerenciamento (Sugestão de post: “O que é esperado de um PMO? “). Obviamente que com o passar do tempo, novas experiências vão sendo acumuladas e novas habilidades são desenvolvidas. 

P. Conhecer o mercado em que trabalhamos nos ajuda a crescer? 

R. Sim. O conhecimento do mercado e de suas demandas ajuda a trabalhar de forma mais efetiva e eficiente. E, considerando que o que importa são os resultados alcançados, este conhecimento aprofundado pode contribuir de maneira decisiva na criação de valor para a organização (e seus cliente). (Sugestão de post: “Desenvolvimento de Competências como diferencial competitivo“)  

Em resumo eu diria que para conseguir visibilidade dentro de uma organização são necessários, entre outros: 

  • Capacitação
  • Empenho
  • Resultados

Giovani Faria 

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