Metodologia ágil ou tradicional: porque não as duas?

Os modelos ágeis de gestão vem ganhando cada vez mais espaço nas organizações, mas nem sempre são bem aceitas ou entendidas por gerentes/executivos acostumados com o gerenciamento de projetos no modelo tradicional (em cascata, ou waterfall). As discussões sobre vantagens e desvantagens de cada modelo são, muitas vezes, inflamadas e polarizadas, onde cada um dos lados tenta doutrinar o outro.

Por mais que cada modelo ofereça uma série de vantagens e desvantagens (que devem ser avaliadas por cada organização e, mais especificamente, cada tipo de projeto) o que eu tenho visto é que a implementação “pura” de um modelo ou de outro é muito rara. Poucos são os lugares onde o gerenciamento do projeto segue dogmaticamente os preceitos (“boas práticas”) listadas no PMBoK ou que executem todos os seus projetos usando Scrum, por exemplo. Se olharmos criticamente um conjunto de projetos de determinada empresa é muito provável que vejamos a utilização de práticas de ambos modelos.

O objetivo desse post é compartilhar uma experiência onde tive a oportunidade de trabalhar com os dois modelos simultaneamente no mesmo projeto, e discutir sobre os ganhos percebidos, dificuldades encontradas e adaptações (tailoring) necessárias.

Histórico do projeto

O projeto tratava do desenvolvimento de uma inovação em um produto do cliente, cuja janela de inserção no mercado era bem definida (e restrita). Os requisitos do sistema, por sua vez, eram bastante complexos, e ainda não totalmente especificados (o que ocorreu ao longo do projeto).

Devido à importância estratégica do projeto o cliente necessitava validar entregas parciais e ter algumas funcionalidades implementadas em versões de demonstração do produto para ser utilizado em “Road Shows”. Assim, uma das ações para garantir a execução desse trabalho foi o estabelecimento de um contrato para a alocação de um time de tamanho fixo durante um período determinado.

Considerando as características do projeto o modelo de desenvolvimento escolhido foi o Scrum, uma vez que este permitiria tratar o desenvolvimento do produto de forma incremental e ainda assim garantir a qualidade do produto e do processo (outro requisito importante para o cliente).

No entanto, apesar de entender o funcionamento do modelo “puro” do Scrum o cliente demandou um acompanhamento nos moldes tradicionais, considerando um projeto “waterfall” e artefatos previstos no modelo de maturidade CMMi. Com isso, por exemplo, foram criados o cronograma macro de entregas descrito em um gráfico de Gantt, algumas métricas de acompanhamento de valor agregado e relatórios de status semanais.

Desafios

Em virtude dessa gestão “mista” foi necessário avaliar processos e práticas das duas correntes de pensamento e avaliar criticamente o uso das mesmas no projeto, tendo em mente a não duplicação do trabalho e a otimização do tempo e esforço para a gestão do projeto, com a garantia do atendimento das expectativas dos stakeholders.

Como resultado dessa análise alguns processos tiveram de ser adaptados. Já alguns outros continuaram a ser executados da mesma maneira, uma vez que o resultado produzido era o mesmo ou não apresentava diferenças significativas usando um dos métodos.

Os ajustes no processo foram sendo feitos e validados com o cliente ao longo do projeto, com o consequente mapeamento das práticas e grupos de processos de modo a gerenciar o projeto de forma eficiente.

A prática 

As principais disciplinas exercidas durante o projeto estão listadas a seguir, juntamente com uma explanação de como elas foram executadas.

Gestão do escopo

O escopo do projeto foi dividido em pacotes de trabalho, sendo que cada requisito foi detalhado pelo analista de requisitos para a criação do product backlog do projeto. No entanto, diferentemente de um projeto ágil puro, toda a quebra dos requisitos em estórias e atividades foi feita durante o planejamento do projeto e o backlog resultante foi usado como guia para o planejamento das iterações (sprints).

Quaisquer mudanças nos requisitos do projeto, seja por entendimento dos mesmos ou por alteração do escopo original, foram tratadas através de um procedimento de “Solicitações de Mudança” (Change Requests), onde as mudanças eram analisadas, detalhadas e incluídas no product backlog.

Gestão do cronograma

Apesar do projeto ter sido executado usando Scrum o conteúdo de cada iteração foi definido com base na priorização do backlog feita pelo Product Owner ainda durante a fase de planejamento. Como o conteúdo de cada iteração estava, em grande parte, definido de antemão a reunião de planejamento de cada sprint focava no balanceamento de volume de trabalho (esforço) e força produtiva disponível (capacidade), além de fazer adaptações necessárias na velocidade do time e incorporação de atividades remanejadas de outros sprints.

Como o Gerente de Projetos do cliente precisava ter visibilidade do projeto como um todo, foi criado um cronograma no MS-Project para acompanhar a execução de cada requisito, sendo que os milestones definidos continham um subconjunto de requisitos que seriam implementados. O cronograma era acompanhado com base no progresso dos sprints, e servia como referência para coleta de métricas do projeto.

O acompanhamento do projeto se dava tanto pelo cronograma de funcionalidades quanto pelo gráfico de burndown de cada sprint. Os dados do cronograma eram usados para informar o progresso do projeto como um todo, enquanto o burndown indicava o progresso de cada sprint.

Gestão do custo

Como o time de projeto era fixo a gestão dos custos do projeto limitou-se ao controle de despesas, o que simplificou a tarefa. Os índices de valor agregado derivavam diretamente dos dados inseridos no MS-Project.

Gestão da comunicação

O plano de comunicação foi criado no início do projeto após a identificação de todos os stakeholders. Para cada tipo de informação a ser divulgada foi definida a periodicidade e sua audiência, bem como o propósito e o responsável pela coleta e divulgação de cada informação. O time de projeto era informado regularmente através das reuniões diárias e demais cerimônias (planning, review) do sprint. Já a alta gerência e o cliente eram informados através de relatórios semanais de progresso.

Um mapa com papéis e responsabilidades de cada stakeholder foi criado e divulgado, de modo a tornar público todos os canais de informação do projeto.

Gestão de riscos

O processo de identificação e análise qualitativa dos riscos, bem como o planejamento de resposta aos mesmos, seguiu o processo tradicional, com o uso de uma planilha de acompanhamento atualizada semanalmente, sendo que o time e demais stakeholders eram envolvidos no processo através das reuniões diárias, reuniões periódicas de status e cerimônias do Scrum.

Gestão da qualidade

O projeto seguiu um processo de desenvolvimento aderente ao CMMi e foi acompanhado por um analista da área de Qualidade, que auditava periodicamente (a cada final de sprint) as entregas (artefatos) do mesmo. A qualidade era garantida através da criação e acompanhamento de itens de “Não Conformidade” em ferramenta específica, que eram enviados ao cliente mensalmente.

Gestão de RH:

A alocação de pessoas foi facilitada pelo fato do time ter um tamanho fixo ao longo de todo o projeto. Como a estrutura da empresa é do tipo matricial o gerente funcional era responsável pela alocação das pessoas, mas uma vez definido o time com as habilidades necessárias (com base no escopo definido) o esforço de gestão foi reduzido, limitando-se ao planejamento e controle de ausências ocasionais e períodos de férias, bem como, obviamente, ao acompanhamento do desempenho dos membros da equipe.

Gestão de aquisições:

Não foi necessário durante o projeto.

Conclusão

A amostra de projetos executados com essa metodologia é pequena e limitada aos projetos que eu gerenciei para esse cliente específico mas, apesar do trabalho inicial de análise ter tomado algum tempo, os resultados foram bastante satisfatórios.

O gerente de projetos do cliente ficou satisfeito por ter a visibilidade que precisava, e os produtos dos projetos foram entregues no prazo e com qualidade necessária. Um resultado adicional, que comprova a eficiência do modelo, é que ele tem sido adotado inclusive por outros parceiros com quem esse cliente executa projetos.

E você, tem alguma experiência desse tipo?

Eamon Sousa

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Um passo de cada vez…

Assim como quando começamos a dar nossos primeiros passos, cambaleantes, segurando nas mãos de nossos apreensivos pais, empreender requer passos firmes, planejados, seguros e, principalmente, sempre em frente. Será?

No dia de ontem (7, Julho, 2011) tive a satisfação de participar junto com um número bastante expressivo de ‘Change Makers’ de um evento voltado para as empresas Start Ups no Meet Up Campinas Tech. Este evento, cujo tema central foi Investimentos, contou também com a participação de vários ‘Angels’ do Brasil e também de alguns ‘investidos’ (pessoas que obtiveram recursos financeiros de investidores para alavancar suas Propostas de Valor em um novo negócio).

Mas, ó tópico principal desse post é sobre o painel “Como fui investido” onde pudemos acompanhar narrativas divertidas, inusitadas, emocionantes, informativas e, principalmente, realistas do processo pelo qual três diferentes Change Markers – em estágios diferentes de desenvolvimento de seus negócios – passaram (ou estão passando) para a geração de diferenciais no mercado e, se estabelecerem.

Frustação, derrota, nervosismo, entre outras palavras não muito motivadoras, foram bastante citadas. Entretanto,  instatisfação com os resultados, força de vontade, garra e determinação também tiveram seus lugares de destaque para mostrar que a persistência, aliada com doses de competência e sorte, juntamente com uma visão diferenciada do futuro e uma enorme vontade de mostrar para o mundo que você estava certo (com sua ideia que revolucionaria o mundo dos negócios), podem dar ótimos resultados. Ou então, pelo menos, garantir uma vida agitada, cheia de desafios e realizações (depois das inúmeras tempestades).

O público, do qual fiz parte, acompanhava atento, interessado, ansioso por finalmente descobrir a fórmula mágica do sucesso. Ou então, pelo menos, saber quais palavras mágicas usar para sair dali, depois de um Pitch (quem em uma tradução livre se traduz em curto intervalo de tempo que você tem para apresentar e convencer alguém – os Angels – de que sua ideia, e principalmente você, tem potencial para receber aportes financeiros de altíssimo risco), com um contrato assinado e pronto para por seu plano de “dominar o mundo” em ação (nas palavras do Fabrício Bloisi, da Movile).

Esta troca de experiências e vivências ajuda a ter “Um passo a menos” (nas palavras da Aline Marcolino – da Tryoop) para caminhar rumo ao sucesso. Os puxões de orelha, berros, falta de educação e arrogância que, de acordo com os ‘investidos’ são características intrínsecas dos Angels (afinal, eles tem a for$a de que você precisa para trazer dividendo$ para vocês) e devem ser encaradas como fonte de energia para gerar mudanças. Mudanças na sua forma de pensar e agir para continuar empenhado no seu objetivo maior que é o de ver seu Modelo/Plano de Negócios, ou simplesmente, seu sonho, sair do papel e ganhar a casa dos consumidores (de preferência, milhões deles, ou seja, um produto/serviço ‘escalável’).

Business Model Generation, Canvas, Business Plan, Pitch, Four Steps to Epiphany, ROI, Proposta de Valor, Investimentos, Lucratividade, além de Chutômetro e Intuição,  entre outras palavras, foram bastante citadas durante o evento. Cada palavra, termo, citação, etc, levava a um turbilhão de novas ideias e novas possibilidades que estimulam à pesquisa os interessados pelo tema.

O evento contou também com a partipação internacionalmente tupiniquim do mineiro Reinaldo Normand, que contou um pouco de sua trajetória e vivência no Vale do Silício. Lá, o mundo Start Up está mais enraizado e a gama de investimentos (e investidores) é maior. Uma de suas frases que me chamou a atenção foi: “Quando você vai atrás de dinheiro, os Angels te dão conselhos e, quando você vai atrás de conselhos eles te ‘dão’ dinheiro”. Ou seja, procure por pessoas mais experientes e peça conselhos sobre a sua proposta e, potencialmente, você pode colher outros frutos.

Em meio a tudo isso comecei a tentar relacionar este tema com a Gestão de Projetos. Então, ‘começando pelo começo’, e partindo da definição de que ‘Projeto é um esforço temporário empreendido para criar um produto, serviço ou resultado exclusivo’, fica interessante analisar as diferentes dimensões do gerenciamento de projetos quando este ‘deliverable’ trata de algo tão instável quanto a geração de ideias e propostas de valor, possivelmente, inexistentes (pelo menos para um tipo de produto/serviço, ou mercado, por exemplo).

Pois bem, a declaração inicial de escopo trazendo ‘Dominar o mundo revolucionando o mundo dos negócios’, além de ambiciosa, abre muitos questionamentos sobre o escopo desse projeto. E convertê-la em diferentes entregas torna-se uma tarefa árdua que vai exigir dedicação integral (24 x 7).

Durante as declarações dos ‘investidos’ ficou claro que a formação da equipe é um fator bastante decisivo no estabelecimento de uma relação de confiança entre os Sponsors (Angels) e  Gerente de Projeto (CEO @My Start up). Foi fator comum mencionar que, além de capacitação – conhecimentos e habilidades – o relacionamento pessoal entre as partes é de extrema importância para esta empreitada. Equipes multidisciplinares com competências complementares (técnicas, administrativas, vendas, etc.) agregam mais valor ao projeto e ajudam na sua Valoração.

Outro tópico bastante relevante na gestão de projetos é a comunicação. Este também foi um fator de sucesso para garantir o investimento no projeto uma vez que pessoas com orientações diferentes (técnicos e cientisttas defendendo sua implementação diante de homens – e mulheres – de negócio utilizando ‘idiomas’ diferentes). Para nós, gerentes de projeto, PMBoK ou Manifesto Ágil, entre outras coisas, buscam uniformizar termos e definições para melhorar a comunicação entre as partes. E aqui, no mundo Start up, assim como no mundo da gestão de projetos, é tarefa do empreendedor (GP) garantir que esta comunicação seja fluida e efetiva. Isto é, é preciso saber converter algoritmos, reações químicas, mudanças genéticas, métodos matemáticos em Retorno sobre Investimento (ROI), Proposta de Valor, Clientes, Mercados, etc. Tarefa difícil, mas, não impossível.

Para as aquisições, bem, é preciso definir o ‘tamanho’ do orçamento. Chute? Métodos matemáticos? Ciências ocultas? Não importa! O que realmente vale é o alinhamento entre as partes. Todos precisam estar confortáveis com esta parte do plano, precisam acreditar que tem algum embasamento. Claro que, em um futuro não tão distante, estas estimativas podem (e devem) ser revistas, refinadas e aprimoradas. Afinal, a proposta inicial pode ter mudado, o mercado pode ter mudado, o timing pode não estar adequado. Make or buy é uma questão de momento, capacitação e capacidade (financeira, estrutural, etc.).

Para fechar o assunto, um dos pontos mais presentes no meu entendimento é a Gestão de Riscos. De um lado, os investidores (os anjos) que querem resultados com o seu portfolio de projetos. Do outro, o empreendedor, com sua start up, travando uma batalha entre sua ideia, aquilo que acredita, e a realidade do mercado (as necessidades dos consumidores, as dificuldades com as parcerias e a ameaça dos concorrentes).

Este caldeirão fervente, se temperado (análises, investimentos, trabalho árduo e pitadas de sorte) adequadamente (doses e momentos certos) pode trazer resultados de qualidade e muito saborosos.

Links:

Post: Business Model Generation no Campinas Inova 2011

Vídeos: Programa Mundo S/A (Canal Globonews)

Unicamp: Notícia.

Innoveur: I CampinasTECH Meetup Boosting Angel Investments in Brazil

Giovani Faria

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Negociação em Projetos

Por Giovani Faria

No gerenciamento de projetos uma atividade que é bastante exercitada é o da negociação. Então, esta habilidade deve fazer parte do conjunto de competências do gerente de projetos. Por exemplo, durante o planejamento negociam-se contratos, recursos, orçamento, prazos, etc.  E boa parte destes itens (senão todos) é novamente negociada durante o andamento do projeto.

Mas, qual deve ser o objetivo do gerente de projetos durante a negociação? Uma possível resposta pode ser “Garantir que terá as condições necessárias para a conclusão do projeto”. Embora pareça um tanto óbvia esta afirmação, obter êxito nela é uma tarefa muitas vezes complexa.

No início do projeto o cliente pode (e normalmente vai) pressionar por prazos menores e custos mais baixos. A organização executora, por sua vez, vai procurar ganhar este contrato garantindo seu cumprimento além da obtenção de uma margem de lucro adequada às suas necessidades.

Infelizmente a figura do gerente de projeto pode vir a entrar nesta história somente depois que os acordos comerciais já foram firmados. Com isso, sua margem de negociação fica bastante restrita. Então, o planejamento passa a adotar estas restrições principais (prazo e custo) que acabam por acarretar novos riscos ao projeto. Por exemplo, podemos ter:

  • dificuldade no gerenciamento de atividades do caminho crítico do projeto que pode ter a duração exata do prazo final estabelecido pelo contrato. Ou seja, nenhuma folga para gerenciar os problemas que acarretem atrasos de cronograma.
  • com a restrição de custos o projeto pode ser forçado a utilizar somente recursos com menor grau de senioridade. Esta condição pode potencializar alguns riscos do projeto e, obviamente, seus impactos.

Entretanto, mesmo não tendo sido chamado a participar das discussões em um momento anterior (o que não necessariamente significa que o gerente de projeto teria influência suficiente na decisão), o gerente de projeto continua precisando garantir condições mínimas para o atingimento dos objetivos do projeto.

A partir desse momento, assumindo as restrições estabelecidas, o gerente de projetos deve avaliar as demandas do projeto e realizar as negociações necessárias durante a preparação de seu planejamento (e claro, durante a execução).

Embora o ideal seja conseguir uma situação onde todos saiam ganhando da mesa de negociação, é provável que nem todos os envolvidos tenham esta intenção. Mesmo porque, as demandas de cada um podem ser conflitantes, sendo necessária uma definição de prioridades. Assim, independente do tipo de resultado esperado é preciso traçar uma estratégia para a negociação,  definindo quais são os objetivos a serem alcançados e quais as concessões podem ser feitas (nos momentos oportunos). Outra situação possível é que haja a necessidade de se fazer algumas ‘trocas’ (toma lá, dá cá).

Um exemplo pode ser quando o gerente do projeto estiver negociando uma priorização de recursos da organização para o projeto. Ou seja, ele é o responsável por influenciar a avaliação de todos os stakeholders envolvidos (sponsor, gerente de portifolio, diretores, etc.) para a tomada de decisão quanto ao direcionamento dos recursos disponíveis para o seu projeto. Assim, parte de sua estratégia deve ser a coleta e apresentação adequada das demandas específicas do projeto e, principalmente, os impactos envolvidos no caso de não tê-las atendidas. Resumindo, quanto mais ‘munição’ você tiver (mais argumentos) melhor preparado você vai estar para poder sair da mesa de negociação com êxito.

Assim, antes de ir para uma mesa de negociação:

  • Prepara-se. Junte argumentos, informações. Enfim, tudo que possa lhe ser útil.
  • Estabeleça um plano para a negociação (sua estratégia).
  • Tenha claro(s) que resultado(s) pretende alcançar.
  • Conheça os limites de concessão que você pode atingir.
  • Traga sempre consigo um plano B.

Durante a negociação você vai precisar:

  • Apresentar dados, informações, fatos,  etc.
  • Argumentar construtivamente.
  • Convencer que sua demanda merece atenção.
  • Influenciar de maneira estruturada.
  • Aceitar limitações.
  • Ceder nos momentos oportunos.
  • Reverter uma situação adversa.
  • Barganhar para conseguir o que deseja.
  • Avaliar o que lhe é oferecido.
  • Decidir se aceita a(s) proposta(s) apresentada(s).

Algumas sugestões de leitura:

Giovani Faria

Meus posts

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Veja abaixo a lista dos posts mais visitados:

Gerente de Projetos – Competências e Habilidades
Avaliação de Desempenho de Projetos
Milestones
Motivação, Criatividade, Espírito de Equipe
Dicas para um bom Gerenciamento de Projetos
Gerenciamento de Desastres – Exemplo Haiti

@gerenciamentoestrategico

Managing simultaneous projects

It’s becoming more common the situation where a project manager needs to manage more than one project simultaneously. Although not based on scientific data, this assumption is based on my own experiences and from my networking. This perception was also confirmed by our blog readers in a survey we conducted a couple day ago, where over 60% of PM readers are in charge of more than two simultaneous projects …

This situation, that only brings difficulties and points of attention when analyzed superficially, may also have some benefits for the project manager. The advantages and disadvantages of the simultaneous management of multiple projects can be summarized below:

Advantages:

+        Possibility of optimizing resource usage (resource sharing between projects) – the manager can, for example, mitigate a risk or answer to an urgent demand of one of its projects by promoting a supervised migration of resources within the projects.

+        Constant exercise of project management disciplines – it is possible that each project is in a different phase, which allows the project manager to exercise the activities from all phases of the projects life cycle and enjoy the gains from synergy.

+        Lessons Learned – a lesson learned in one of the projects might be applied immediately on the other (s), which increases the chances of success.

+        Professional recognition – skills to work under pressure and with attention to detail is appreciated and desired.

Disadvantages:

−        Increased need of attention by the manager – the project manager cannot neglect any aspect of his various projects, which demand a high capacity for selective focus and control.

−        Increased competition for resources – inevitably every other time priorities of the various projects will crash, which will require greater control of risks.

−        More stakeholders to manage – each project has its set of stakeholders, which pursue the interests of their own projects. Besides having to look after the interests of each stakeholder, the project manager may still have to deal with the situation where the same stakeholder has an interest in more than one project (a high probability of conflict.)

−        Pressure, lots of pressure – rather than being accountable for the results of only one project, pressure grows proportionally with the increase of your responsibility.

One of the biggest challenges in a situation where there are many issues vying for your attention is to keep all projects under control and not let any detail without the needed attention. Even small or less complex projects require the project manager´s attention for aspects such as communication with the team and other stakeholders, costs control, schedule and risks monitoring.

There is no right or wrong way to control what happens in your projects, but there are some techniques to facilitate your work. The most common technique is to use a spreadsheet where you list every aspect that may be of your interest. I recently attended a webinar where the speaker suggested the use of a table listing the characteristics of each project, such as key stakeholders, risks, high level scope,  etc… Basically, this is a compilation of Project Charters  of all projects, as can be seen in the table below:

Project A Project B Project C Project x
Stakeholders          
Business Analysis          
Requirements          
Scope          
Delivey dates          
Risks          
Team

Although used to provide visibility of the reason for each project, this model is not useful for monitoring the daily project activities. To control all the points of attention in my projects I prefer to use a specific spreadsheet, as the model available for download here.

The use of any control mechanism is essential to help the project manager to keep abreast of the demands and needs of each project, thus avoiding the micromanagement and lack of objectivity of analysis and action. The method to be adopted depends on personal preferences but the ultimate goal should be a greater level of control over ongoing activities, always with the aim to facilitate the management and deliver the results expected by the end of the project.

Eamon L. Sousa

Relatório de Progresso

Um interessante instrumento de comunicação com os stakeholders do projeto, e em especial, com o(s) patrocinador(es), é o relatório de progresso.

Um dos resultados alcançados com este reporte regular e adequado às expectativas das partes interessadas é a criação de uma relação de confiança, onde os stakeholders conseguem observar a evolução do projeto e, principalmente, avaliar seu status.

O tipo de informação a ser apresentado e a sua formatação são bastante influenciadas pelo nível hierárquico e/ou nível de decisão do stakeholder e do seu envolvimento no dia a dia do projeto.

Por exemplo, um relatório de progresso enviado ao corpo técnico do projeto não precisa, necessariamente, apresentar o acompanhamento do cronograma financeiro do projeto. Da mesma maneira que este relatório, quando apresentado ao corpo gerencial da organização, não precisa (ou nem mesmo deve) conter detalhes técnicos da implementação e descrições detalhadas de uma dada atividade.

Então, qual a maneira adequada a ser utilizada?

Tenho trabalhado em diferentes projetos, com diferentes stakeholders que demandam diferentes níveis de informação ou detalhamento. Abaixo, uma lista dos tipos de relatório de progresso utilizados:

  • Exemplo 1: preparado e distribuído no corpo do e-mail.
  • Exemplo 2: preparado em documento word, enviado na forma digital e formalmente assinado.
  • Exemplo 3: preparado na forma de apresentação (powerpoint), armazenado no repositório de projeto e o link para acesso é distribuído.

Pois bem, as três formas, desde que em comum acordo, estão adequadas. Claro que, independente da forma, a informação apresentada é que tem o maior peso na escolha.

Agora, a decisão sobre qual forma escolher envolve:

  • avaliar a quantidade e o tipo de informação a ser apresentado.
  • verificar a disponibilidade e o acesso ao repositório de documentos do projeto.
  • analisar a necessidade de formalização (aceite).

Nos exemplos anteriores, a escolha foi feita com base em:

  • Exemplo 1: Escolhido devido a baixa complexidade do projeto, onde a quantidade de informações a serem inseridas era mais reduzida e o projeto tinha curta duração.
  • Exemplo 2: Devido às demandas impostas pelo cliente (e por contrato), o relatório de progresso (que precisava ser formalmente aceito) era avaliado e assinado. Além da assinatura, vários itens gráficos precisavam ser inseridos para facilitar a interpretação das informações e a rápida identificação do status do andamento do projeto.
  • Exemplo 3: Projetos de maior complexidade tem seu reporte facilitado com o uso dessa ferramenta já que fazê-lo no corpo de um e-mail deixaria o texto extremamente longo o que poderia prejudicar a leitura e identificação de pontos de atenção por parte dos stakeholders. Além disso, uma ferramenta adequada permite uma riqueza gráfica que, muitas vezes, torna a leitura mais agradável.

Para deixar mais clara a dificuldade em definir um formato único para o relatório de progresso, vou comentar um feedback interessante que recebi de um gerente (de um nível hierárquico mais elevado na organização) sobre o reporte que eu enviava aos stakeholders (dentre eles o cliente e este mesmo gerente). A avaliação dele foi mais ou menos assim: “… ótimo reporte, bastante completo e bastante extenso também…”. Entendi como um feedback bom, já que o comentário deixou claro que sua percepção era de que eu tinha o projeto sob controle, mas ao mesmo tempo, que havia muita informação para ser analisada.

Então, fiquei analisando este feedback e me indagando como seria possível construir um relacionamento de confiança com o cliente, mantê-lo informado sobre o progresso e, principalmente, sobre os riscos e/ou problemas encontrados, com o mínimo de informação?

Assim, minha interpretação é a de que cada projeto e cada stakeholder vai demandar diferentes níveis de detalhamento e até mesmo de ‘quantidade’ de informação. Assim, cabe ao gerente do projeto analisar as solicitações, dimensionar o esforço necessário e preparar a informação.

Giovani Faria

Meus posts

Lições Aprendidas (Case) – Parte 4/4

Lições Aprendidas – Parte 4/4

Lições Aprendidas – Parte 3/4

Gestão de Riscos

A gestão de riscos deve ser uma atividade pró-ativa que, essencialmente, busca evitar a ocorrência de problemas durante o projeto (tomando ações preventivas). Entretanto, analisando o andamento do projeto, é possível concluir que a gestão de riscos se aproximou muito de uma gestão de problemas. Isso porque o período de tempo decorrido entre a identificação dos riscos e a sua efetiva ocorrência, em vários momentos, foi bastante pequeno ou nulo. Esta situação foi provocada, principalmente, pelo fast tracking e crashing de atividades. Como atividades que, em princípio seriam executadas em sequência estavam acontecendo paralelo, não foi possível criar um mecanismo eficiente de antecipação de riscos. Ou seja, convivíamos com uma constante aceitação destes. Embora esta não seja uma situação ideal, proporciona um grande aprendizado na gestão de mudanças (identificação -> avaliação -> aprovação -> implementação).

Um parceiro importante neste processo de gestão de riscos foi o próprio requisitante (e patrocinador) do projeto que atuou de forma constante durante o projeto, auxiliando na busca de alternativas para mitigação de riscos identificados e na solução de problemas ocorridos.

Conclusão geral

Embora possa ser uma conclusão óbvia, a iniciação e o planejamento foram fatores primordiais na condução do projeto. Neste momento as atividades que influenciaram de maneira decisiva o projeto foram:

  • o alinhamento entre os principais stakeholders envolvidos na execução do projeto (gerenciamento de expectativas, completo entendimento do ciclo de projeto, restrições, etc.)
  • a avaliação do grau de risco, principalmente pela indefinição do esforço necessário, e determinação das ações necessárias (análise crítica)
  • o comprometimento e integração entre os stakeholders (Sponsor, Equipe de Execução, Equipe de Verificação)
  • o suporte gerencial (eg. alocação de recursos, priorização)

Em resumo, por mais complexo que possa ser um projeto, faça uma coisa de vez, mas, assim como diz o título de um álbum dos Titãs, tem que ser “Tudo ao mesmo tempo Agora”.

Abraço, Giovani Faria

Lições Aprendidas (Case) – Parte 3/4

Lições Aprendidas – Parte 3/4

Link para Parte 2/4

Integração

A integração foi maior desafio do projeto. Alguns dos fatores mais relevantes foram:

  • stakeholders: grande número e dispersos geograficamente
  • comunicação: constante e intensa, com reuniões semanais (técnicas e administrativas) via conferência telefônica. Além das reuniões coletivas, discussões direcionadas a cada uma áreas tinham que ser conduzidas para atuar em demandas específicas.
  • relatórios: embora também seja um item de comunicação, foi colocado propositadamente à parte para mostrar a importância de manter os stakeholders (principalmente os que não atuam diretamente na execução do projeto) informados sobre o andamento do projeto. Nesta categoria, além do requisitante do projeto (e sponsor), se enquandra também o nível gerencial organizacional.
  • dependências: necessidade de interação constante entre áreas de desenvolvimento (8) com impactos dependentes. Ações específicas foram criadas para garantir o alinhamento de informações relacionadas aos requisitos.
  • cultural: uma preocupação constante foi a diferença cultural que exigiu cuidados, principalmente, na comunicação. As informações reportadas eram discutidas constantemente para garantir a efetividade da comunicação.
  • conflitos: a demanda por recursos e a concorrência com outros projetos foi inevitável, e os conflitos também. Nesta hora, a atuação dos stakeholders do nível gerencial organizacioal foi bastante importante e decisiva, garantindo a alocação necessária de recursos para o projeto

De acordo com o PMBoK, o Gerenciamento da Integração do Projeto “inclui os processos e as atividades necessárias para identificar, definir, combinar, unificar e coordenar os vários processos e atividades dos grupos de processos de gerenciamento”.

Agora, passado o projeto, fica evidente a importância do Gerenciamento da Integração do Projeto, que nas palavras do PMBoK “…requer que sejam feitas escolhas sobre alocação de recursos, consessões entre objetivos e alternativas conflitantes e gerenciamento de dependências mútuas….”

Neste sentido, uma ação que se mostrou bastante efetiva foi a de colocar os stakeholders principais juntos (neste caso, por 2 dias) para efetuar o planejamento do projeto. Neste momento, ficou claro que, desde o solicitante do projeto, passando pela equipe de gerenciamento e de desenvolvimento (execução) até o pessoal responsável pela verificação, que todos precisavam contribuir (e em alguns pontos, ceder) para o atingimento de uma das principais metas do projeto que, naquele momento, estava focada na data de entrega, obviamente, sem redução de escopo.

Abraço, Giovani Faria

Continuação:

Lições Aprendidas (Case) – Parte 1/4

Parte 1/4

Um dos importantes ativos de processos organizacionais são as Lições Aprendidas. Neste post, que devido a quantidade de informação precisou ser dividido em partes (4), vou procurar mostrar um pouco do aprendizado – Minhas Lições Aprendidas – que obtive em um projeto com as seguintes características:

  • desenvolvimento de software (telecom)
  • duração de 5 meses
  • equipe de aproximadamente 20 pessoas

O tema Lições Aprendidas envolve algumas atividades que devem incluir tanto a coleta e registro de informações, como a análise dessas informações (aprender com os erros e repetir os sucessos). E também deve incluir uma atividade que considero das mais importantes do ponto de vista estratégico da organização e do desenvolvimento de melhoras práticas em gerenciamento de projeto que é a disceminação de conhecimento.

Buscando no PMBoK, como são definidas as Lições Aprendidas, pode-se encontrar neste guia que:

  • é a aprendizagem obtida no processo de realização do projeto
  • são também consideradas um registro do projeto
  • devem ser incluídas na base de conhecimento da oganização

Para melhorar a compreensão do contexto no qual Minhas Lições Aprendidas foram geradas, e para apresentar um pouco mais de detalhes sobre este projeto específico, vou atribuir a ele alguns ‘adjetivos’:

  • Importante: projeto estratégico para a organização (grande atenção dos stakeholders quanto aos seus resultados)
  • Multi-cultural: 5 diferentes países envolvidos (na América e Europa)
  • Multi-site: 8 diferentes localizações geográficas
  • Urgente: adjetivo bastante comum já que urgência parece ser uma característica comuns à vários projetos
  • Desafiante: prazo curto (20 semanas), considerando o volume de atividades, entre o início e a entrega do projeto

Tempo Integral

Devido a urgência, importância e prazo curtos, este foi um projeto de tempo integral, onde tempo integral significou 110% de dedicação.

O grande número de áreas envolvidas onde haviam vários stakeholders com capacidade de impactar positiva e também negativamente o projeto, a necessidade de comunicação intensa e ordenada, e o grande foco organizacional quanto aos resultados desse projeto, o tornaram item prioritário (e quase exclusivo) nas minhas atividades profissionais e também grande influenciador de minhas atividades pessoais.

Abraço,

Giovani Faria

Link para Parte 2/4

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