Metodologia ágil ou tradicional: porque não as duas?

Os modelos ágeis de gestão vem ganhando cada vez mais espaço nas organizações, mas nem sempre são bem aceitas ou entendidas por gerentes/executivos acostumados com o gerenciamento de projetos no modelo tradicional (em cascata, ou waterfall). As discussões sobre vantagens e desvantagens de cada modelo são, muitas vezes, inflamadas e polarizadas, onde cada um dos lados tenta doutrinar o outro.

Por mais que cada modelo ofereça uma série de vantagens e desvantagens (que devem ser avaliadas por cada organização e, mais especificamente, cada tipo de projeto) o que eu tenho visto é que a implementação “pura” de um modelo ou de outro é muito rara. Poucos são os lugares onde o gerenciamento do projeto segue dogmaticamente os preceitos (“boas práticas”) listadas no PMBoK ou que executem todos os seus projetos usando Scrum, por exemplo. Se olharmos criticamente um conjunto de projetos de determinada empresa é muito provável que vejamos a utilização de práticas de ambos modelos.

O objetivo desse post é compartilhar uma experiência onde tive a oportunidade de trabalhar com os dois modelos simultaneamente no mesmo projeto, e discutir sobre os ganhos percebidos, dificuldades encontradas e adaptações (tailoring) necessárias.

Histórico do projeto

O projeto tratava do desenvolvimento de uma inovação em um produto do cliente, cuja janela de inserção no mercado era bem definida (e restrita). Os requisitos do sistema, por sua vez, eram bastante complexos, e ainda não totalmente especificados (o que ocorreu ao longo do projeto).

Devido à importância estratégica do projeto o cliente necessitava validar entregas parciais e ter algumas funcionalidades implementadas em versões de demonstração do produto para ser utilizado em “Road Shows”. Assim, uma das ações para garantir a execução desse trabalho foi o estabelecimento de um contrato para a alocação de um time de tamanho fixo durante um período determinado.

Considerando as características do projeto o modelo de desenvolvimento escolhido foi o Scrum, uma vez que este permitiria tratar o desenvolvimento do produto de forma incremental e ainda assim garantir a qualidade do produto e do processo (outro requisito importante para o cliente).

No entanto, apesar de entender o funcionamento do modelo “puro” do Scrum o cliente demandou um acompanhamento nos moldes tradicionais, considerando um projeto “waterfall” e artefatos previstos no modelo de maturidade CMMi. Com isso, por exemplo, foram criados o cronograma macro de entregas descrito em um gráfico de Gantt, algumas métricas de acompanhamento de valor agregado e relatórios de status semanais.

Desafios

Em virtude dessa gestão “mista” foi necessário avaliar processos e práticas das duas correntes de pensamento e avaliar criticamente o uso das mesmas no projeto, tendo em mente a não duplicação do trabalho e a otimização do tempo e esforço para a gestão do projeto, com a garantia do atendimento das expectativas dos stakeholders.

Como resultado dessa análise alguns processos tiveram de ser adaptados. Já alguns outros continuaram a ser executados da mesma maneira, uma vez que o resultado produzido era o mesmo ou não apresentava diferenças significativas usando um dos métodos.

Os ajustes no processo foram sendo feitos e validados com o cliente ao longo do projeto, com o consequente mapeamento das práticas e grupos de processos de modo a gerenciar o projeto de forma eficiente.

A prática 

As principais disciplinas exercidas durante o projeto estão listadas a seguir, juntamente com uma explanação de como elas foram executadas.

Gestão do escopo

O escopo do projeto foi dividido em pacotes de trabalho, sendo que cada requisito foi detalhado pelo analista de requisitos para a criação do product backlog do projeto. No entanto, diferentemente de um projeto ágil puro, toda a quebra dos requisitos em estórias e atividades foi feita durante o planejamento do projeto e o backlog resultante foi usado como guia para o planejamento das iterações (sprints).

Quaisquer mudanças nos requisitos do projeto, seja por entendimento dos mesmos ou por alteração do escopo original, foram tratadas através de um procedimento de “Solicitações de Mudança” (Change Requests), onde as mudanças eram analisadas, detalhadas e incluídas no product backlog.

Gestão do cronograma

Apesar do projeto ter sido executado usando Scrum o conteúdo de cada iteração foi definido com base na priorização do backlog feita pelo Product Owner ainda durante a fase de planejamento. Como o conteúdo de cada iteração estava, em grande parte, definido de antemão a reunião de planejamento de cada sprint focava no balanceamento de volume de trabalho (esforço) e força produtiva disponível (capacidade), além de fazer adaptações necessárias na velocidade do time e incorporação de atividades remanejadas de outros sprints.

Como o Gerente de Projetos do cliente precisava ter visibilidade do projeto como um todo, foi criado um cronograma no MS-Project para acompanhar a execução de cada requisito, sendo que os milestones definidos continham um subconjunto de requisitos que seriam implementados. O cronograma era acompanhado com base no progresso dos sprints, e servia como referência para coleta de métricas do projeto.

O acompanhamento do projeto se dava tanto pelo cronograma de funcionalidades quanto pelo gráfico de burndown de cada sprint. Os dados do cronograma eram usados para informar o progresso do projeto como um todo, enquanto o burndown indicava o progresso de cada sprint.

Gestão do custo

Como o time de projeto era fixo a gestão dos custos do projeto limitou-se ao controle de despesas, o que simplificou a tarefa. Os índices de valor agregado derivavam diretamente dos dados inseridos no MS-Project.

Gestão da comunicação

O plano de comunicação foi criado no início do projeto após a identificação de todos os stakeholders. Para cada tipo de informação a ser divulgada foi definida a periodicidade e sua audiência, bem como o propósito e o responsável pela coleta e divulgação de cada informação. O time de projeto era informado regularmente através das reuniões diárias e demais cerimônias (planning, review) do sprint. Já a alta gerência e o cliente eram informados através de relatórios semanais de progresso.

Um mapa com papéis e responsabilidades de cada stakeholder foi criado e divulgado, de modo a tornar público todos os canais de informação do projeto.

Gestão de riscos

O processo de identificação e análise qualitativa dos riscos, bem como o planejamento de resposta aos mesmos, seguiu o processo tradicional, com o uso de uma planilha de acompanhamento atualizada semanalmente, sendo que o time e demais stakeholders eram envolvidos no processo através das reuniões diárias, reuniões periódicas de status e cerimônias do Scrum.

Gestão da qualidade

O projeto seguiu um processo de desenvolvimento aderente ao CMMi e foi acompanhado por um analista da área de Qualidade, que auditava periodicamente (a cada final de sprint) as entregas (artefatos) do mesmo. A qualidade era garantida através da criação e acompanhamento de itens de “Não Conformidade” em ferramenta específica, que eram enviados ao cliente mensalmente.

Gestão de RH:

A alocação de pessoas foi facilitada pelo fato do time ter um tamanho fixo ao longo de todo o projeto. Como a estrutura da empresa é do tipo matricial o gerente funcional era responsável pela alocação das pessoas, mas uma vez definido o time com as habilidades necessárias (com base no escopo definido) o esforço de gestão foi reduzido, limitando-se ao planejamento e controle de ausências ocasionais e períodos de férias, bem como, obviamente, ao acompanhamento do desempenho dos membros da equipe.

Gestão de aquisições:

Não foi necessário durante o projeto.

Conclusão

A amostra de projetos executados com essa metodologia é pequena e limitada aos projetos que eu gerenciei para esse cliente específico mas, apesar do trabalho inicial de análise ter tomado algum tempo, os resultados foram bastante satisfatórios.

O gerente de projetos do cliente ficou satisfeito por ter a visibilidade que precisava, e os produtos dos projetos foram entregues no prazo e com qualidade necessária. Um resultado adicional, que comprova a eficiência do modelo, é que ele tem sido adotado inclusive por outros parceiros com quem esse cliente executa projetos.

E você, tem alguma experiência desse tipo?

Eamon Sousa

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Top Posts – Gerenciamento Estratégico de Projetos

Hoje o Blog Gerenciamento Estratégico de Projetos atingiu a marca de 25 mil acessos.

Agradecemos aos visitantes pelo incentivo e vamos continuar nosso trabalho de dividir com vocês informações, experiências, opiniões e resultados relacionados à gestão de projetos.

Além disso, se você tiver alguma sugestão de assunto aderente ao nosso conteúdo, sinta-se à vontade par nos contatar.

Para ‘comemorar’, segue abaixo a lista dos posts mais acessados no último ano.

Novamente, obrigado.

Equipe Gerenciamento Estratégico de Projetos

Negociação em Projetos

Por Giovani Faria

No gerenciamento de projetos uma atividade que é bastante exercitada é o da negociação. Então, esta habilidade deve fazer parte do conjunto de competências do gerente de projetos. Por exemplo, durante o planejamento negociam-se contratos, recursos, orçamento, prazos, etc.  E boa parte destes itens (senão todos) é novamente negociada durante o andamento do projeto.

Mas, qual deve ser o objetivo do gerente de projetos durante a negociação? Uma possível resposta pode ser “Garantir que terá as condições necessárias para a conclusão do projeto”. Embora pareça um tanto óbvia esta afirmação, obter êxito nela é uma tarefa muitas vezes complexa.

No início do projeto o cliente pode (e normalmente vai) pressionar por prazos menores e custos mais baixos. A organização executora, por sua vez, vai procurar ganhar este contrato garantindo seu cumprimento além da obtenção de uma margem de lucro adequada às suas necessidades.

Infelizmente a figura do gerente de projeto pode vir a entrar nesta história somente depois que os acordos comerciais já foram firmados. Com isso, sua margem de negociação fica bastante restrita. Então, o planejamento passa a adotar estas restrições principais (prazo e custo) que acabam por acarretar novos riscos ao projeto. Por exemplo, podemos ter:

  • dificuldade no gerenciamento de atividades do caminho crítico do projeto que pode ter a duração exata do prazo final estabelecido pelo contrato. Ou seja, nenhuma folga para gerenciar os problemas que acarretem atrasos de cronograma.
  • com a restrição de custos o projeto pode ser forçado a utilizar somente recursos com menor grau de senioridade. Esta condição pode potencializar alguns riscos do projeto e, obviamente, seus impactos.

Entretanto, mesmo não tendo sido chamado a participar das discussões em um momento anterior (o que não necessariamente significa que o gerente de projeto teria influência suficiente na decisão), o gerente de projeto continua precisando garantir condições mínimas para o atingimento dos objetivos do projeto.

A partir desse momento, assumindo as restrições estabelecidas, o gerente de projetos deve avaliar as demandas do projeto e realizar as negociações necessárias durante a preparação de seu planejamento (e claro, durante a execução).

Embora o ideal seja conseguir uma situação onde todos saiam ganhando da mesa de negociação, é provável que nem todos os envolvidos tenham esta intenção. Mesmo porque, as demandas de cada um podem ser conflitantes, sendo necessária uma definição de prioridades. Assim, independente do tipo de resultado esperado é preciso traçar uma estratégia para a negociação,  definindo quais são os objetivos a serem alcançados e quais as concessões podem ser feitas (nos momentos oportunos). Outra situação possível é que haja a necessidade de se fazer algumas ‘trocas’ (toma lá, dá cá).

Um exemplo pode ser quando o gerente do projeto estiver negociando uma priorização de recursos da organização para o projeto. Ou seja, ele é o responsável por influenciar a avaliação de todos os stakeholders envolvidos (sponsor, gerente de portifolio, diretores, etc.) para a tomada de decisão quanto ao direcionamento dos recursos disponíveis para o seu projeto. Assim, parte de sua estratégia deve ser a coleta e apresentação adequada das demandas específicas do projeto e, principalmente, os impactos envolvidos no caso de não tê-las atendidas. Resumindo, quanto mais ‘munição’ você tiver (mais argumentos) melhor preparado você vai estar para poder sair da mesa de negociação com êxito.

Assim, antes de ir para uma mesa de negociação:

  • Prepara-se. Junte argumentos, informações. Enfim, tudo que possa lhe ser útil.
  • Estabeleça um plano para a negociação (sua estratégia).
  • Tenha claro(s) que resultado(s) pretende alcançar.
  • Conheça os limites de concessão que você pode atingir.
  • Traga sempre consigo um plano B.

Durante a negociação você vai precisar:

  • Apresentar dados, informações, fatos,  etc.
  • Argumentar construtivamente.
  • Convencer que sua demanda merece atenção.
  • Influenciar de maneira estruturada.
  • Aceitar limitações.
  • Ceder nos momentos oportunos.
  • Reverter uma situação adversa.
  • Barganhar para conseguir o que deseja.
  • Avaliar o que lhe é oferecido.
  • Decidir se aceita a(s) proposta(s) apresentada(s).

Algumas sugestões de leitura:

Giovani Faria

Meus posts

Receita de ‘Bolo’

Bolo “Projeto”

Ingredientes:

  • 1 boa dose de capacidade de negociação para evitar prazos irrealistas (e estressantes para a equipe).
  • Bastante objetividade para a correta definição dos objetivos do projeto.
  • 1 bom tanto de paciência para lidar com os interesses dos stakeholders.
  • Toneladas de dedicação para garantir uma comunicação eficaz e fluida.
  • Alguns kg de sensatez para tratar as solicitações de mudança.
  • 1 colher de sopa bem cheia de perspicácia para explorar os recursos disponíveis e desenvolver sua competência.
  • 1 pitada de motivação para contaminar a equipe.

Modo de Preparo:

  • Entenda 1 a 1 os requisitos do cliente e documente-os adequadamente.
  • Junte a equipe e obtenha seu comprometimento com os objetivos.
  • Misture tudo e leve ao forno (monitorando constantemente).

 Rendimento:

  • Entregas feitas no prazo, custo e com a qualidade necessária.
  • Cliente satisfeito.
  • Sponsor tranquilo.
  • Equipe motivada.

Bom apetite,

Giovani Faria

Meus posts

Relatório de Progresso

Um interessante instrumento de comunicação com os stakeholders do projeto, e em especial, com o(s) patrocinador(es), é o relatório de progresso.

Um dos resultados alcançados com este reporte regular e adequado às expectativas das partes interessadas é a criação de uma relação de confiança, onde os stakeholders conseguem observar a evolução do projeto e, principalmente, avaliar seu status.

O tipo de informação a ser apresentado e a sua formatação são bastante influenciadas pelo nível hierárquico e/ou nível de decisão do stakeholder e do seu envolvimento no dia a dia do projeto.

Por exemplo, um relatório de progresso enviado ao corpo técnico do projeto não precisa, necessariamente, apresentar o acompanhamento do cronograma financeiro do projeto. Da mesma maneira que este relatório, quando apresentado ao corpo gerencial da organização, não precisa (ou nem mesmo deve) conter detalhes técnicos da implementação e descrições detalhadas de uma dada atividade.

Então, qual a maneira adequada a ser utilizada?

Tenho trabalhado em diferentes projetos, com diferentes stakeholders que demandam diferentes níveis de informação ou detalhamento. Abaixo, uma lista dos tipos de relatório de progresso utilizados:

  • Exemplo 1: preparado e distribuído no corpo do e-mail.
  • Exemplo 2: preparado em documento word, enviado na forma digital e formalmente assinado.
  • Exemplo 3: preparado na forma de apresentação (powerpoint), armazenado no repositório de projeto e o link para acesso é distribuído.

Pois bem, as três formas, desde que em comum acordo, estão adequadas. Claro que, independente da forma, a informação apresentada é que tem o maior peso na escolha.

Agora, a decisão sobre qual forma escolher envolve:

  • avaliar a quantidade e o tipo de informação a ser apresentado.
  • verificar a disponibilidade e o acesso ao repositório de documentos do projeto.
  • analisar a necessidade de formalização (aceite).

Nos exemplos anteriores, a escolha foi feita com base em:

  • Exemplo 1: Escolhido devido a baixa complexidade do projeto, onde a quantidade de informações a serem inseridas era mais reduzida e o projeto tinha curta duração.
  • Exemplo 2: Devido às demandas impostas pelo cliente (e por contrato), o relatório de progresso (que precisava ser formalmente aceito) era avaliado e assinado. Além da assinatura, vários itens gráficos precisavam ser inseridos para facilitar a interpretação das informações e a rápida identificação do status do andamento do projeto.
  • Exemplo 3: Projetos de maior complexidade tem seu reporte facilitado com o uso dessa ferramenta já que fazê-lo no corpo de um e-mail deixaria o texto extremamente longo o que poderia prejudicar a leitura e identificação de pontos de atenção por parte dos stakeholders. Além disso, uma ferramenta adequada permite uma riqueza gráfica que, muitas vezes, torna a leitura mais agradável.

Para deixar mais clara a dificuldade em definir um formato único para o relatório de progresso, vou comentar um feedback interessante que recebi de um gerente (de um nível hierárquico mais elevado na organização) sobre o reporte que eu enviava aos stakeholders (dentre eles o cliente e este mesmo gerente). A avaliação dele foi mais ou menos assim: “… ótimo reporte, bastante completo e bastante extenso também…”. Entendi como um feedback bom, já que o comentário deixou claro que sua percepção era de que eu tinha o projeto sob controle, mas ao mesmo tempo, que havia muita informação para ser analisada.

Então, fiquei analisando este feedback e me indagando como seria possível construir um relacionamento de confiança com o cliente, mantê-lo informado sobre o progresso e, principalmente, sobre os riscos e/ou problemas encontrados, com o mínimo de informação?

Assim, minha interpretação é a de que cada projeto e cada stakeholder vai demandar diferentes níveis de detalhamento e até mesmo de ‘quantidade’ de informação. Assim, cabe ao gerente do projeto analisar as solicitações, dimensionar o esforço necessário e preparar a informação.

Giovani Faria

Meus posts

Gerenciamento do Tempo

Neste post, diferentemente do que o título possa sugerir, quero abordar o gerenciamento do tempo do gerente de projetos e não o gerenciamento das atividades do projeto (prazos, cronogramas, etc.). Em especial, quero abordar o assunto de gestão pessoal do tempo quando falamos do gerenciamento de vários projetos simultâneos.

A motivação veio principalmente pela necessidade de organizar melhor tempo para a gestão de diversos projetos simultâneos. Com esta demanda de gerenciar todas as atividades de um portfolio de projetos acabei por incluir no meu Twitter a seguinte frase: “Instantaneous Management, uma maneira de aumentar o throughput.”. Além disso, vi uma das mensagens de José Finnochio, também no twitter, que dizia “Superei OnePage Project management. Acabei de Inventar o Twitter Project Management (TPM).Todo plano tem q caber em 140 caracteres.”.

Com tudo isso, comecei a me questionar em como manter o controle dos projetos, mantendo todos artefatos (planos, relatórios, etc.) atualizados, fazendo uso das melhores práticas de gerenciamento e garantindo o alinhamento com a estratégia organizacional, sem perder a aderência aos processos/padrões organizacionais.

Explorando um pouco mais cada um dos termos destacados acima:

  • Manter o controle dos projetos: saber o que entregar (escopo), quando entregar (prazo), quem são os responsáveis (pessoas), gerenciar os riscos, manter a comunicação, satisfazer stakeholders, etc . Entretanto, todas essas informações são normalmente inseridas nos planos dos projetos, que seguem os processos organizacionais que, por sua vez, estabelecem o fluxo de trabalho. Para este controle procuro ter listados (em uma lista de action points, post it, anotações, etc.) todas as atividades que devem ser realizadas ao longo do dia. Esta lista, obviamente, deve ser revista/atualizada diariamente.
  • Utilizar as melhores práticas: embora guias como o PMBoK não exijam que todos os seus processos sejam utilizados, e que planos de projeto devam ser atualizados constantamente, fazer uso das melhores práticas para múltiplos projetos pode se tornar uma tarefa quase impossível levando-se em consideração a velocidade dos acontecimentos e as demandas sobre o gerente dos projetos. Com a experiência, o uso de práticas de sucesso acaba por se tornar uma rotina. Entretanto, no início, é preciso seguir a literatura disponível ou, por exemplo, criar checklists de atividades a serem realizadas.
  • Aderência aos processos organizacionais: o seu uso busca essencialmente a padronizações interna e garantia da qualidade do gerenciamento do projeto (controle e uso de melhores práticas) enquanto, por exemplo, atende a certificações como ISO e CMMi. Este é um ponto que pode criar certa dificuldade uma vez que não é da competência do gerente de projeto decidir sobre alterações nos fluxos de processos organizacionais. Ele pode sim, com o uso, sugerir melhorias ou mudanças, mas a decisão sobre aceitar essas propostas e implementá-las em toda organização é de responsabilidade, por exemplo, do PMO ou da área de processos, ou ainda, do EPG (Engineering Process Group – CMMi).

Cada metodologia/ferramenta de gestão das atividades do gerente de projeto possui características que podem se adequar em menor ou maior grau às suas necessidades. Todavia, para dificultar ainda mais a obtenção do resultado esperado, além de considerar a organização no atendimento às demandas dos projetos, esse ferramental deve considerar as restrições e demandas dos processos internos e da estratégia organizacional.

Para completar, dentre os diversos títulos disponíveis que tratam do tema, encontrei um que descreve de um método chamado de “Get Things Done” do autor, David Allen, que diz “…Só quando nossas mentes estão claras e nossos pensamentos organizados é que podemos atingir a produtividade sem estresse e liberar o nosso potencial criativo…”.

Além desse, diversas outras ferramentas e metodologias procuram resolver o problema de como conseguir organizar-se para obter o máximo de produtividade e resultados. Uma dessas ferramentas que pretende auxiliar na solução desse problema é a Toodledo cujo slogan diz : “An easy to use, online to-do list. Get organized, stay motivated, and be more productive”.

O uso dessa, ou de qualquer outra ferramenta, para servir ao propósito de auxiliá-lo no gerenciamento de atividades,  passa pela análise:

  • dos prazos de entrega
  • das prioridades das atividades
  • das estimativas de esforço (tempo) necessário para a conclusão

Entretanto, o grande desafio é integrar tudo isso com suas metas (pessoais e profissionais).

Giovani Faria

Meus posts

 

Ps.: Um link interessante para acessar: http://www.linkedin.com/groupAnswers?viewQuestionAndAnswers=&discussionID=17423495&gid=1812399&trk=EML_anet_qa_ttle-d7hOon0JumNFomgJt7dBpSBA

Série: Gestão de Projetos – Encerramento #5

A fase final do ciclo de projeto, chamada de encerramento, envolve atividades que completam o projeto estabelecendo assim sua conclusão.

Nesta fase, atividades de todos os grupos de processos devem ser finalizadas. Para determinar seu encerramento, alguns pontos importantes (e até mesmo obrigatórios) sobre o projeto:

  • Houve um aceite formal do projeto (de suas entregas)?
  • As informações importantes sobre o ciclo de projeto foram documentadas?
  • A equipe produziu e armazenou as lições aprendidas do projeto?
  • Os contratos foram encerrados?
  • Os procedimentos internos foram seguidos?

Embora seja uma fase onde um número mais reduzido de atividades é realizado; é nesta fase que informações históricas de projeto são formalmente atualizadas e adicionadas aos ativos de processos organizacionais (Lições Aprendidas). Este procedimento visa garantir a disseminação de conhecimento na organização de modo a melhorar a eficiência em projetos futuros.

Giovani Faria

PS: Para acessar os demais posts dessa série:

Recuperação de Projetos Problemáticos

É esperado que regularmente a performance/andamento do projeto sejam avaliados. Neste momento, pode ser que os resultados (indicadores) apontem para uma performance abaixo da esperada e também que as avaliações de tendência indiquem um resultado futuro nada interessante, ou seja, o projeto está com problemas.

Momentos como esse, não incomuns, são ideais para que um bom gerente de projetos possa por em prática suas habilidades e estabelecer, juntamente com sua equipe, um plano de ação para recuperação do projeto.

Embora o gerente do projeto seja o responsável ‘legal’ pelos resultados do projeto, é através da equipe que os objetivos do projeto serão atingidos.

Se os objetivos do projeto foram estabelecidos em termos de escopo, prazos, custos e qualidade, é importante que a equipe do projeto tenha um perfeito entendimento de cada um desses itens e suas respectivas restrições.

Tendo a avaliação em mãos é interessante determinar as potenciais causas para estes resultados indesejados. Neste momento, a equipe de projeto deve fazer uma auto-análise em busca das razões que culminaram nesta performance. Aqui, o objetivo não é realizar uma “caça às bruxas”, mas sim, indentificar problemas recorrentes de modo a evitá-los no futuro.

Sabendo onde o  projeto está e o que é que o levou até esta situação, é hora de estabelecer um plano de ação e trabalhar para torná-lo efetivo na recuperação do projeto.

Em resumo:
- avaliar a situação atual
- identificar os problemas internos
- estabelecer um plano de ação
- reavaliar e atualizar o plano de projeto
- reforçar os objetivos do projeto junto aos stakeholders
- intensificar atividades de monitoramento e controle do projeto

Situações como essa pedem por uma equipe comprometida e motivada. O gerente do projeto, por sua vez, tem que se fazer acessível e disponível para a equipe, liderando de forma efetiva.

E por último, o gerente do projeto deve trabalhar muito na troca de informações (comunicação) com a equipe (e demais stakeholders), não se esquecendo de fornecer feedback e, claro, de celebrar as conquistas.

Abraço,

Giovani Faria

Dicas para um bom Gerenciamento de Projetos

Como gerenciar um projeto de maneira efetiva? Não existe uma resposta certa para essa pergunta, da mesma forma que não existe só uma forma de gerenciar um projeto. O que existem são boas práticas que contribuem para um gerenciamento eficaz, levando-se em consideração o ambiente do projeto.

Não existem fórmulas mágicas ou guias passo-a-passo, mas sim, diferentes caminhos que podem ser tomados ao longo das fases de planejamento e execução, e que conduzem à conclusão do projeto com sucesso. Tudo se resume a escolhas: se boas, o caminho é mais fácil e o resultado final tende a ser mais favorável; se ruins, a tendência é que o projeto seja mais “desafiador”.

A intenção desse post não é ser um guia para o gerenciamento de projetos, mas sim uma coletânea de dicas e pontos de atenção que venho usando em meus projetos mas que, por serem genéricas, podem ser aplicadas a qualquer projeto.

1. Escopo

O escopo é a razão principal do projeto e, portanto, deve ser vigiado e acompanhado com muita atenção. A aderência ao escopo é um dos principais fatores pelo qual o sucesso de seu projeto vai ser julgado, portanto todo cuidado é pouco.

Existem dois fatores que podem comprometer seriamente seu escopo e, indiretamente, o prazo e o custo de seu projeto e que devem ser evitados a todo custo:

  • Gold plating: é aquela vontade quase incontrolável de dar uma melhorada no que estamos entregando ao cliente, mas que não está descrita nos requisitos ou no contrato. O problema é que corremos o risco de gastar tempo e dinheiro implementando algo que o cliente não deseja e deixar de lado algo que seria essencial. Ou, pior ainda, acrescentar erros a alguma coisa que já estava funcionando. A verdade é que seu cliente não vai te recompensar por algo que você acrescentou, mas vai te penalizar por algo que você deixou de incluir.
  • Requisitos não implementados: se os requisitos não estão implementados, é porque o projeto não foi completado com sucesso. Simples assim!

2. Prazo

Desvios no prazo de um projeto, infelizmente, são extremamente comuns e, via de regra, não acontecem necessariamente por descuido ou descaso do Gerente de Projetos, mas sim devido à alguma alteração nos outros elementos do triple constraint. De qualquer forma, qualquer atraso na entrega de um projeto gera stress entre as partes envolvidas e também deve ser evitado. Se a data de entrega estiver vinculada à alguma cláusula contratual a situação fica ainda mais complicada.

Algumas atitudes que você pode tomar para minimizar o impacto nos prazos de seu projeto:

  • Revise seu planejamento – essa é uma atividade diária, seu plano de projeto é um documento vivo e deve ser constantemente atualizado. Com isso você consegue antecipar tendências negativas que te pegariam de surpresa mais pra frente.
  • Avalie o progresso constantemente – compare o progresso atual com o planejado, aja em caso de desvios. Ferramentas que eu uso para essa avaliação: EVA (Earned Value Analysis) e/ou Burndown charts.
  • Documente mudanças – qualquer alteração de custo ou escopo que tenha impacto no prazo do seu projeto deve ser acordada coms os stakeholders e posteriormente documentada.

3. Custo

Aqui, todo cuidado é pouco! Finanças é uma das áreas mais sensíveis dentro do campo de atuação de seu projeto. Qualquer desvio tem potencial de gerar ‘calor’.

O que você pode fazer para antecipar surpresas?

  • Estimativas – se você pode influenciar aqui, faça! Todos os estouros de budget que eu vi foram causadas por estimativas irreais. Se possível, tente manter suas estimativas o mais realistas possível. Se conseguir, isso vai te poupar muita dor de cabeça.
  • Controle – quanto mais crítico o projeto mais esse controle deve beirar a obsessão. Eu geralmente tento controlar os custos do projeto semanalmente através dos gastos e lançamentos, comparando sempre com o baseline do projeto.
  • Revise seu planejamento – o mesmo vale aqui, procure “gastar” de forma inteligente.

4. Qualidade

Mais do que um produto ou serviço bem feito a qualidade é a marca que seu projeto vai deixar no cliente. O problema é que a qualidade é muitas vezes implícita e não é discutida no início do projeto, mas é cobrada na entrega do mesmo. É uma prerrogativa do Gerente de Projetos zelar pela qualidade do resultado final do projeto, agindo pelo melhor interesse do cliente.

Para isso é necessário:

  • Seguir os processos estabelecidos – a aderência ao processo minimiza os riscos de desvio no padrão de qualidade.
  • Inspeção – a qualidade tem de ser medida ao longo do processo, quaisquer variações devem ser corrigidas o mais rapidamente possível.
  • Foco em prevenção – a máxima “melhor prevenir do que remediar” continua válida, quanto mais cedo um problema de qualidade for detectado mais barato será para corrigi-lo.

5.    Comunicação

Já foi dito que um Gerente de Projetos gasta, pelo menos, 80% do seu tempo se comunicando. Por mais que esse número possa parecer exagerado a grande verdade é que uma das funções maiores de um gerente é fazer as várias engrenagens de um projeto funcionarem juntas, como um maestro de uma orquestra, e para isso uma boa comunicação é essencial.

Dicas para melhorar a comunicação no seu projeto:

  • Identifique e gerencie todos seus stakeholders – isso significa entender quem pode influenciar seu projeto, qual a influência que cada um pode exercer e o que cada um espera do projeto.
  • Crie uma matriz de responsabilidades – facilita muito a comunicação entre stakeholders ao dar maior visibilidade das atividades, responsabilidades e necessidade de comunicação de cada parte envolvida.
  • Use os canais certos – procure sempre a maneira mais eficaz de se comunicar com cada parte interessada, não a que seja mais conveniente pra você! Algumas pessoas se comunicam bem por meios eletrônicos, outros necessitam de relatórios detalhados, e tem alguns que precisam do “olho no olho”.
  • Mantenha uma rotina de reporte – procure descrever os tópicos mais importantes do período de tempo entre relatórios, mostrando problemas, riscos e resultados alcançados. Além de garantir a distribuição de informação, isso vai te ajudar a manter o histórico do projeto.

6.    Recursos Humanos

Projetos tratam de resultados, e resultados se atingem através de pessoas. Por mais que o foco deva ser no resultado final do projeto o bom Gerente de Projetos sabe extrair os melhores resultados de seu time, motivando as pessoas e trabalhando metas atingíveis.

Formas de ganhar o comprometimento do time e alcançar os resultados desejados:

  • Entenda as diferenças – cada pessoa é diferente, e reage de formas diferentes a estímulos. É necessário estar atendo às particularidades da personalidade de cada pessoa, usando isso a seu favor na hora da comunicação.
  • Contrato de trabalho – é uma das formas mais úteis de ganhar comprometimento. Antes do início das atividades os objetivos do projeto, resultados esperados de cada pessoa e o modo de trabalho são discutidos e acordados individualmente, e as partes se comprometem a seguir esse “contrato”. Com isso, cada um sabe o que esperar e o que é esperado de si mesmo.

7.    Riscos

Uma característica comum em Gerentes de Projeto é não gostar de surpresas, e a melhor forma de evitar o inesperado é fazendo uma análise detalhada dos riscos do projeto.

Dicas para gerenciamento de riscos:

  • Envolva os stakeholders – muitas vezes um olhar diferente sobre o cenário pode levantar alguns riscos que tenham passado despercebidos. Seu time e o patrocinador do projeto vão detectar riscos diferentes.
  • Análise e acompanhamento constantes: sua lista de riscos deve ser revisada e atualizada constantemente, e as ações pertinentes devem ser executadas e monitoradas tão logo se façam necessárias.

Espero que essas dicas possam ser úteis.

Abraço,

Eamon

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