Metodologia ágil ou tradicional: porque não as duas?

Os modelos ágeis de gestão vem ganhando cada vez mais espaço nas organizações, mas nem sempre são bem aceitas ou entendidas por gerentes/executivos acostumados com o gerenciamento de projetos no modelo tradicional (em cascata, ou waterfall). As discussões sobre vantagens e desvantagens de cada modelo são, muitas vezes, inflamadas e polarizadas, onde cada um dos lados tenta doutrinar o outro.

Por mais que cada modelo ofereça uma série de vantagens e desvantagens (que devem ser avaliadas por cada organização e, mais especificamente, cada tipo de projeto) o que eu tenho visto é que a implementação “pura” de um modelo ou de outro é muito rara. Poucos são os lugares onde o gerenciamento do projeto segue dogmaticamente os preceitos (“boas práticas”) listadas no PMBoK ou que executem todos os seus projetos usando Scrum, por exemplo. Se olharmos criticamente um conjunto de projetos de determinada empresa é muito provável que vejamos a utilização de práticas de ambos modelos.

O objetivo desse post é compartilhar uma experiência onde tive a oportunidade de trabalhar com os dois modelos simultaneamente no mesmo projeto, e discutir sobre os ganhos percebidos, dificuldades encontradas e adaptações (tailoring) necessárias.

Histórico do projeto

O projeto tratava do desenvolvimento de uma inovação em um produto do cliente, cuja janela de inserção no mercado era bem definida (e restrita). Os requisitos do sistema, por sua vez, eram bastante complexos, e ainda não totalmente especificados (o que ocorreu ao longo do projeto).

Devido à importância estratégica do projeto o cliente necessitava validar entregas parciais e ter algumas funcionalidades implementadas em versões de demonstração do produto para ser utilizado em “Road Shows”. Assim, uma das ações para garantir a execução desse trabalho foi o estabelecimento de um contrato para a alocação de um time de tamanho fixo durante um período determinado.

Considerando as características do projeto o modelo de desenvolvimento escolhido foi o Scrum, uma vez que este permitiria tratar o desenvolvimento do produto de forma incremental e ainda assim garantir a qualidade do produto e do processo (outro requisito importante para o cliente).

No entanto, apesar de entender o funcionamento do modelo “puro” do Scrum o cliente demandou um acompanhamento nos moldes tradicionais, considerando um projeto “waterfall” e artefatos previstos no modelo de maturidade CMMi. Com isso, por exemplo, foram criados o cronograma macro de entregas descrito em um gráfico de Gantt, algumas métricas de acompanhamento de valor agregado e relatórios de status semanais.

Desafios

Em virtude dessa gestão “mista” foi necessário avaliar processos e práticas das duas correntes de pensamento e avaliar criticamente o uso das mesmas no projeto, tendo em mente a não duplicação do trabalho e a otimização do tempo e esforço para a gestão do projeto, com a garantia do atendimento das expectativas dos stakeholders.

Como resultado dessa análise alguns processos tiveram de ser adaptados. Já alguns outros continuaram a ser executados da mesma maneira, uma vez que o resultado produzido era o mesmo ou não apresentava diferenças significativas usando um dos métodos.

Os ajustes no processo foram sendo feitos e validados com o cliente ao longo do projeto, com o consequente mapeamento das práticas e grupos de processos de modo a gerenciar o projeto de forma eficiente.

A prática 

As principais disciplinas exercidas durante o projeto estão listadas a seguir, juntamente com uma explanação de como elas foram executadas.

Gestão do escopo

O escopo do projeto foi dividido em pacotes de trabalho, sendo que cada requisito foi detalhado pelo analista de requisitos para a criação do product backlog do projeto. No entanto, diferentemente de um projeto ágil puro, toda a quebra dos requisitos em estórias e atividades foi feita durante o planejamento do projeto e o backlog resultante foi usado como guia para o planejamento das iterações (sprints).

Quaisquer mudanças nos requisitos do projeto, seja por entendimento dos mesmos ou por alteração do escopo original, foram tratadas através de um procedimento de “Solicitações de Mudança” (Change Requests), onde as mudanças eram analisadas, detalhadas e incluídas no product backlog.

Gestão do cronograma

Apesar do projeto ter sido executado usando Scrum o conteúdo de cada iteração foi definido com base na priorização do backlog feita pelo Product Owner ainda durante a fase de planejamento. Como o conteúdo de cada iteração estava, em grande parte, definido de antemão a reunião de planejamento de cada sprint focava no balanceamento de volume de trabalho (esforço) e força produtiva disponível (capacidade), além de fazer adaptações necessárias na velocidade do time e incorporação de atividades remanejadas de outros sprints.

Como o Gerente de Projetos do cliente precisava ter visibilidade do projeto como um todo, foi criado um cronograma no MS-Project para acompanhar a execução de cada requisito, sendo que os milestones definidos continham um subconjunto de requisitos que seriam implementados. O cronograma era acompanhado com base no progresso dos sprints, e servia como referência para coleta de métricas do projeto.

O acompanhamento do projeto se dava tanto pelo cronograma de funcionalidades quanto pelo gráfico de burndown de cada sprint. Os dados do cronograma eram usados para informar o progresso do projeto como um todo, enquanto o burndown indicava o progresso de cada sprint.

Gestão do custo

Como o time de projeto era fixo a gestão dos custos do projeto limitou-se ao controle de despesas, o que simplificou a tarefa. Os índices de valor agregado derivavam diretamente dos dados inseridos no MS-Project.

Gestão da comunicação

O plano de comunicação foi criado no início do projeto após a identificação de todos os stakeholders. Para cada tipo de informação a ser divulgada foi definida a periodicidade e sua audiência, bem como o propósito e o responsável pela coleta e divulgação de cada informação. O time de projeto era informado regularmente através das reuniões diárias e demais cerimônias (planning, review) do sprint. Já a alta gerência e o cliente eram informados através de relatórios semanais de progresso.

Um mapa com papéis e responsabilidades de cada stakeholder foi criado e divulgado, de modo a tornar público todos os canais de informação do projeto.

Gestão de riscos

O processo de identificação e análise qualitativa dos riscos, bem como o planejamento de resposta aos mesmos, seguiu o processo tradicional, com o uso de uma planilha de acompanhamento atualizada semanalmente, sendo que o time e demais stakeholders eram envolvidos no processo através das reuniões diárias, reuniões periódicas de status e cerimônias do Scrum.

Gestão da qualidade

O projeto seguiu um processo de desenvolvimento aderente ao CMMi e foi acompanhado por um analista da área de Qualidade, que auditava periodicamente (a cada final de sprint) as entregas (artefatos) do mesmo. A qualidade era garantida através da criação e acompanhamento de itens de “Não Conformidade” em ferramenta específica, que eram enviados ao cliente mensalmente.

Gestão de RH:

A alocação de pessoas foi facilitada pelo fato do time ter um tamanho fixo ao longo de todo o projeto. Como a estrutura da empresa é do tipo matricial o gerente funcional era responsável pela alocação das pessoas, mas uma vez definido o time com as habilidades necessárias (com base no escopo definido) o esforço de gestão foi reduzido, limitando-se ao planejamento e controle de ausências ocasionais e períodos de férias, bem como, obviamente, ao acompanhamento do desempenho dos membros da equipe.

Gestão de aquisições:

Não foi necessário durante o projeto.

Conclusão

A amostra de projetos executados com essa metodologia é pequena e limitada aos projetos que eu gerenciei para esse cliente específico mas, apesar do trabalho inicial de análise ter tomado algum tempo, os resultados foram bastante satisfatórios.

O gerente de projetos do cliente ficou satisfeito por ter a visibilidade que precisava, e os produtos dos projetos foram entregues no prazo e com qualidade necessária. Um resultado adicional, que comprova a eficiência do modelo, é que ele tem sido adotado inclusive por outros parceiros com quem esse cliente executa projetos.

E você, tem alguma experiência desse tipo?

Eamon Sousa

Posts relacionados:

Análise de Processos

Quando falamos em processos, muitas vezes, estamos procurando maneiras (métodos) de dar maior eficiência e eficácia ao trabalho nas organizações, onde termos como redução de custos, incremento da competitividade, melhoria da qualidade, entre outros, são bastante comuns.

Uma ferramenta que pode auxiliar neste sentido é a Gestão por Processos, que procura mapear e implementar os procedimentos organizacionais através de ferramentas de gestão (como os ERPs).

Entretanto, durante este processo – de criação e implantação de procedimentos e metodologias padronizadas (ou de sua revisão, já que processo ‘tem’ prazo de validade) – é preciso avaliar adequadamente o produto deste trabalho.

Alguns questionamentos pertinentes para aumentar as chances de sucesso no uso dos processos estabelecidos são:

  • O processo (e cada uma de suas atividades) é realmente necessário?
  • Este processo ou atividade agrega valor para a organização?
  • Qual sua função desse processo/atividade na empresa?
  • Este processo/atividade atende aos objetivos previamente definidos?
  • Este processo/atividade pode (ou deve) ser melhorado?
  • Todas as atividades definidas no processo precisam (e efetivamente, são) executadas?
  • Este processo está adequado às demandas do mercado?

No Gerenciamento de Projetos (assim como apresentado no PMBoK) temos estabelecidos alguns Grupos de Processos de gestão que procuram estabelecer um fluxo de trabalho adequado para cada uma das fases do projeto. Estes grupos de processos foram apresentados nos posts seguintes:

Giovani Faria

Meus posts

Negociação em Projetos

Por Giovani Faria

No gerenciamento de projetos uma atividade que é bastante exercitada é o da negociação. Então, esta habilidade deve fazer parte do conjunto de competências do gerente de projetos. Por exemplo, durante o planejamento negociam-se contratos, recursos, orçamento, prazos, etc.  E boa parte destes itens (senão todos) é novamente negociada durante o andamento do projeto.

Mas, qual deve ser o objetivo do gerente de projetos durante a negociação? Uma possível resposta pode ser “Garantir que terá as condições necessárias para a conclusão do projeto”. Embora pareça um tanto óbvia esta afirmação, obter êxito nela é uma tarefa muitas vezes complexa.

No início do projeto o cliente pode (e normalmente vai) pressionar por prazos menores e custos mais baixos. A organização executora, por sua vez, vai procurar ganhar este contrato garantindo seu cumprimento além da obtenção de uma margem de lucro adequada às suas necessidades.

Infelizmente a figura do gerente de projeto pode vir a entrar nesta história somente depois que os acordos comerciais já foram firmados. Com isso, sua margem de negociação fica bastante restrita. Então, o planejamento passa a adotar estas restrições principais (prazo e custo) que acabam por acarretar novos riscos ao projeto. Por exemplo, podemos ter:

  • dificuldade no gerenciamento de atividades do caminho crítico do projeto que pode ter a duração exata do prazo final estabelecido pelo contrato. Ou seja, nenhuma folga para gerenciar os problemas que acarretem atrasos de cronograma.
  • com a restrição de custos o projeto pode ser forçado a utilizar somente recursos com menor grau de senioridade. Esta condição pode potencializar alguns riscos do projeto e, obviamente, seus impactos.

Entretanto, mesmo não tendo sido chamado a participar das discussões em um momento anterior (o que não necessariamente significa que o gerente de projeto teria influência suficiente na decisão), o gerente de projeto continua precisando garantir condições mínimas para o atingimento dos objetivos do projeto.

A partir desse momento, assumindo as restrições estabelecidas, o gerente de projetos deve avaliar as demandas do projeto e realizar as negociações necessárias durante a preparação de seu planejamento (e claro, durante a execução).

Embora o ideal seja conseguir uma situação onde todos saiam ganhando da mesa de negociação, é provável que nem todos os envolvidos tenham esta intenção. Mesmo porque, as demandas de cada um podem ser conflitantes, sendo necessária uma definição de prioridades. Assim, independente do tipo de resultado esperado é preciso traçar uma estratégia para a negociação,  definindo quais são os objetivos a serem alcançados e quais as concessões podem ser feitas (nos momentos oportunos). Outra situação possível é que haja a necessidade de se fazer algumas ‘trocas’ (toma lá, dá cá).

Um exemplo pode ser quando o gerente do projeto estiver negociando uma priorização de recursos da organização para o projeto. Ou seja, ele é o responsável por influenciar a avaliação de todos os stakeholders envolvidos (sponsor, gerente de portifolio, diretores, etc.) para a tomada de decisão quanto ao direcionamento dos recursos disponíveis para o seu projeto. Assim, parte de sua estratégia deve ser a coleta e apresentação adequada das demandas específicas do projeto e, principalmente, os impactos envolvidos no caso de não tê-las atendidas. Resumindo, quanto mais ‘munição’ você tiver (mais argumentos) melhor preparado você vai estar para poder sair da mesa de negociação com êxito.

Assim, antes de ir para uma mesa de negociação:

  • Prepara-se. Junte argumentos, informações. Enfim, tudo que possa lhe ser útil.
  • Estabeleça um plano para a negociação (sua estratégia).
  • Tenha claro(s) que resultado(s) pretende alcançar.
  • Conheça os limites de concessão que você pode atingir.
  • Traga sempre consigo um plano B.

Durante a negociação você vai precisar:

  • Apresentar dados, informações, fatos,  etc.
  • Argumentar construtivamente.
  • Convencer que sua demanda merece atenção.
  • Influenciar de maneira estruturada.
  • Aceitar limitações.
  • Ceder nos momentos oportunos.
  • Reverter uma situação adversa.
  • Barganhar para conseguir o que deseja.
  • Avaliar o que lhe é oferecido.
  • Decidir se aceita a(s) proposta(s) apresentada(s).

Algumas sugestões de leitura:

Giovani Faria

Meus posts

Série: Gestão de Projetos – Execução #3

Depois de Iniciar e Planejar o Projeto, o passo seguinte é executar as atividades definidas no planejamento (Plano de Projeto) para atingir os objetivos estabelecidos.

Nesta fase, de forma bastante intensa, a participação do gerente do projeto tem fator decisivo no desempenho da equipe e, consequentemente, do projeto.

Durante a execução, devido ao maior detalhamento e envolvimento da equipe no trabalho com as atividades definidas, é bastante provável que novos detalhes tenham que ser acrescentados ao plano de projeto e que premissas iniciais sejam validadas (ou reavalidas). Por exemplo:

  • A duração prevista para as atividades (estimativas) está de acordo com sua complexidade?
  • A produtividade da equipe é a esperada? As competências necessárias foram alocadas?
  • Os recursos (humanos, materiais, infra) previstos estavam disponíveis conforme as previsões?
  • As estimativas de custos foram acertadas?

Se para alguma dessas perguntas a resposta foi não, as necessidades de mudanças devem ser avaliadas e, quando aprovadas, devem ser refletidas no plano de projeto. Estas alterações (aprovadas) tem influência direta na linha de base do projeto.

O gerente é responsável por ‘orientar e gerenciar a execução do projeto’ de modo que este atinja seus objetivos com a Garantia da Qualidade. Dentre suas atribuições, uma delas refere-se ao desenvolvimento e direção da equipe de projeto. Neste sentido o gerente de projeto deve estar atento a alguns questionamentos:

  • As pessoas previstas para a composição da equipe estarão disponíveis no momento planejado?
  • Foram planejados treinamentos para ganho de competência da equipe?
  • Quais competências devem ser desenvolvidas?
  • Quais os recursos necessários para a realização dos treinamentos?

Além disso, o gerente de projetos deve observar o desempenho e interação dos membros dessa equipe. Assim, precisa definir:

  • Como será monitorada e avaliada o desempenho de cada membro da equipe?
  • Como resolver os problemas de comportamento e relacionamento da equipe?
  • Como fornecer feedback que favoreça o crescimento da equipe?

Para completar o cenário, pode-se ter também o envolvimento de fornecedores como stakeholders do projeto. Para isso o gerente deve verificar:

  • Os fornecedores foram selecionados?
  • Os contratos seguiram todos os trâmites burocráticos necessários?

Embora todos estes passos estejam descritos no plano de projeto, garantir sua execução considerando o complexo ambiente de projeto e as constantes mudanças tornam esta uma atividade complexa.

Finalmente, também é preciso garantir que durante a execução do projeto que todos os envolvidos (stakeholders) estejam informados sobre o andamento do projeto e que tenham suas demandas (necessidades) atendidas. Assim, para proporcionar as informações requeridas é preciso Monitorar e Controlar o andamento projeto.

(Série: Gestão de Projetos – Monitoramento e Controle #4)

Giovani Faria

PS: Para acessar os demais posts dessa série:

Série: Gestão de Projetos – Planejamento #2

Passada a fase de Iniciação do Projeto (Série: Gestão de Projetos – Iniciação #1), onde o setup inicial é estabelecido e você adquire conhecimentos sobre o projeto e as partes inicialmente envolvidas e interessadas no resultado do mesmo, é preciso analisar as características do projeto e iniciar seu planejamento.

Ao final dessa fase esperam-se ter respondidas as seguinte perguntas:

  • Qual o esforço (total) do projeto?
  • Quais são seus objetivos?
  • Qual o plano (de projeto) para atingir estes objetivos?

Entretanto, é importante ter em mente que ao longo do ciclo de vida do projeto é possível que novas informações sejam adicionadas ou que haja solicitações de mudanças por parte dos stakeholders. Dessa forma, os procedimentos (processos) de planejamento devem ser atividades recursivas (iterativas), já que o plano deve sempre refletir a realidade do projeto.

Os itens do planejamento de projeto (fonte principal de informações sobre as ações a serem executadas e como elas serão monitoradas e controladas) incluem – para citar as áreas do PMBoK – escopo, tempo, custos, qualidade, comunicação, risco e aquisições.

Considerando o volume, importância e detalhamento necessários, antes de continuar com a elaboração do plano, pode ser interessante definir um time de projeto:

  • Você precisa de uma equipe de projeto? Quantas pessoas?
  • Quais os tipos de competências necessárias (analista de requisitos, analista de qualidade, analista de configuração)?
  • Qual o planejamento inicial de atividades (quantidade de horas, prazos, disponibilidade de recursos) para esta equipe?

Obviamente que à medida que as demandas vão sendo melhor entendidas, novas pessoas, ou melhor, novas competências podem ser requeridas.

A formação dessa equipe de projeto é também um dos fatores de sucesso do projeto, uma vez que são definidos papéis e responsabilidades. Com as competências necessárias alocadas no projeto é esperado um melhor desempenho na resposta à algumas questões:

  • Quais os requisitos (necessidades dos stakeholders) do projeto?
  • Quais os resultados esperados (produtos) do projeto?
  • Quais as entregas do projeto?

Aumentando o nível de detalhamento, passamos para a definição das atividades a serem executadas:

  • Quais são as atividades necessárias para a conclusão de cada entrega?
  • Em quanto tempo todas as atividades podem ser concluídas?
  • Existe dependência entre as atividades?
  • Quais os recursos (materiais, humanos, equipamentos) necessários?

Com toda esta informação disponível, pode-se então estabelecer um baseline de custos, contemplando todas as necessidades do projeto para atingir seus objetivos, atendendo aos requisitos de qualidade definidos.

Completando as informações necessárias ao plano de projeto temos alguns planos como: Plano de Comunicações, de Riscos (assunto que já está sendo tratado na Série Riscos em Projetos) e de Aquisições.

Com o plano elaborado, chegou a hora de executar.

(Série: Gestão de Projetos – Execução #3)

Giovani Faria

PS: Para acessar os demais posts dessa série:

Dicas para um bom Gerenciamento de Projetos

Como gerenciar um projeto de maneira efetiva? Não existe uma resposta certa para essa pergunta, da mesma forma que não existe só uma forma de gerenciar um projeto. O que existem são boas práticas que contribuem para um gerenciamento eficaz, levando-se em consideração o ambiente do projeto.

Não existem fórmulas mágicas ou guias passo-a-passo, mas sim, diferentes caminhos que podem ser tomados ao longo das fases de planejamento e execução, e que conduzem à conclusão do projeto com sucesso. Tudo se resume a escolhas: se boas, o caminho é mais fácil e o resultado final tende a ser mais favorável; se ruins, a tendência é que o projeto seja mais “desafiador”.

A intenção desse post não é ser um guia para o gerenciamento de projetos, mas sim uma coletânea de dicas e pontos de atenção que venho usando em meus projetos mas que, por serem genéricas, podem ser aplicadas a qualquer projeto.

1. Escopo

O escopo é a razão principal do projeto e, portanto, deve ser vigiado e acompanhado com muita atenção. A aderência ao escopo é um dos principais fatores pelo qual o sucesso de seu projeto vai ser julgado, portanto todo cuidado é pouco.

Existem dois fatores que podem comprometer seriamente seu escopo e, indiretamente, o prazo e o custo de seu projeto e que devem ser evitados a todo custo:

  • Gold plating: é aquela vontade quase incontrolável de dar uma melhorada no que estamos entregando ao cliente, mas que não está descrita nos requisitos ou no contrato. O problema é que corremos o risco de gastar tempo e dinheiro implementando algo que o cliente não deseja e deixar de lado algo que seria essencial. Ou, pior ainda, acrescentar erros a alguma coisa que já estava funcionando. A verdade é que seu cliente não vai te recompensar por algo que você acrescentou, mas vai te penalizar por algo que você deixou de incluir.
  • Requisitos não implementados: se os requisitos não estão implementados, é porque o projeto não foi completado com sucesso. Simples assim!

2. Prazo

Desvios no prazo de um projeto, infelizmente, são extremamente comuns e, via de regra, não acontecem necessariamente por descuido ou descaso do Gerente de Projetos, mas sim devido à alguma alteração nos outros elementos do triple constraint. De qualquer forma, qualquer atraso na entrega de um projeto gera stress entre as partes envolvidas e também deve ser evitado. Se a data de entrega estiver vinculada à alguma cláusula contratual a situação fica ainda mais complicada.

Algumas atitudes que você pode tomar para minimizar o impacto nos prazos de seu projeto:

  • Revise seu planejamento – essa é uma atividade diária, seu plano de projeto é um documento vivo e deve ser constantemente atualizado. Com isso você consegue antecipar tendências negativas que te pegariam de surpresa mais pra frente.
  • Avalie o progresso constantemente – compare o progresso atual com o planejado, aja em caso de desvios. Ferramentas que eu uso para essa avaliação: EVA (Earned Value Analysis) e/ou Burndown charts.
  • Documente mudanças – qualquer alteração de custo ou escopo que tenha impacto no prazo do seu projeto deve ser acordada coms os stakeholders e posteriormente documentada.

3. Custo

Aqui, todo cuidado é pouco! Finanças é uma das áreas mais sensíveis dentro do campo de atuação de seu projeto. Qualquer desvio tem potencial de gerar ‘calor’.

O que você pode fazer para antecipar surpresas?

  • Estimativas – se você pode influenciar aqui, faça! Todos os estouros de budget que eu vi foram causadas por estimativas irreais. Se possível, tente manter suas estimativas o mais realistas possível. Se conseguir, isso vai te poupar muita dor de cabeça.
  • Controle – quanto mais crítico o projeto mais esse controle deve beirar a obsessão. Eu geralmente tento controlar os custos do projeto semanalmente através dos gastos e lançamentos, comparando sempre com o baseline do projeto.
  • Revise seu planejamento – o mesmo vale aqui, procure “gastar” de forma inteligente.

4. Qualidade

Mais do que um produto ou serviço bem feito a qualidade é a marca que seu projeto vai deixar no cliente. O problema é que a qualidade é muitas vezes implícita e não é discutida no início do projeto, mas é cobrada na entrega do mesmo. É uma prerrogativa do Gerente de Projetos zelar pela qualidade do resultado final do projeto, agindo pelo melhor interesse do cliente.

Para isso é necessário:

  • Seguir os processos estabelecidos – a aderência ao processo minimiza os riscos de desvio no padrão de qualidade.
  • Inspeção – a qualidade tem de ser medida ao longo do processo, quaisquer variações devem ser corrigidas o mais rapidamente possível.
  • Foco em prevenção – a máxima “melhor prevenir do que remediar” continua válida, quanto mais cedo um problema de qualidade for detectado mais barato será para corrigi-lo.

5.    Comunicação

Já foi dito que um Gerente de Projetos gasta, pelo menos, 80% do seu tempo se comunicando. Por mais que esse número possa parecer exagerado a grande verdade é que uma das funções maiores de um gerente é fazer as várias engrenagens de um projeto funcionarem juntas, como um maestro de uma orquestra, e para isso uma boa comunicação é essencial.

Dicas para melhorar a comunicação no seu projeto:

  • Identifique e gerencie todos seus stakeholders – isso significa entender quem pode influenciar seu projeto, qual a influência que cada um pode exercer e o que cada um espera do projeto.
  • Crie uma matriz de responsabilidades – facilita muito a comunicação entre stakeholders ao dar maior visibilidade das atividades, responsabilidades e necessidade de comunicação de cada parte envolvida.
  • Use os canais certos – procure sempre a maneira mais eficaz de se comunicar com cada parte interessada, não a que seja mais conveniente pra você! Algumas pessoas se comunicam bem por meios eletrônicos, outros necessitam de relatórios detalhados, e tem alguns que precisam do “olho no olho”.
  • Mantenha uma rotina de reporte – procure descrever os tópicos mais importantes do período de tempo entre relatórios, mostrando problemas, riscos e resultados alcançados. Além de garantir a distribuição de informação, isso vai te ajudar a manter o histórico do projeto.

6.    Recursos Humanos

Projetos tratam de resultados, e resultados se atingem através de pessoas. Por mais que o foco deva ser no resultado final do projeto o bom Gerente de Projetos sabe extrair os melhores resultados de seu time, motivando as pessoas e trabalhando metas atingíveis.

Formas de ganhar o comprometimento do time e alcançar os resultados desejados:

  • Entenda as diferenças – cada pessoa é diferente, e reage de formas diferentes a estímulos. É necessário estar atendo às particularidades da personalidade de cada pessoa, usando isso a seu favor na hora da comunicação.
  • Contrato de trabalho – é uma das formas mais úteis de ganhar comprometimento. Antes do início das atividades os objetivos do projeto, resultados esperados de cada pessoa e o modo de trabalho são discutidos e acordados individualmente, e as partes se comprometem a seguir esse “contrato”. Com isso, cada um sabe o que esperar e o que é esperado de si mesmo.

7.    Riscos

Uma característica comum em Gerentes de Projeto é não gostar de surpresas, e a melhor forma de evitar o inesperado é fazendo uma análise detalhada dos riscos do projeto.

Dicas para gerenciamento de riscos:

  • Envolva os stakeholders – muitas vezes um olhar diferente sobre o cenário pode levantar alguns riscos que tenham passado despercebidos. Seu time e o patrocinador do projeto vão detectar riscos diferentes.
  • Análise e acompanhamento constantes: sua lista de riscos deve ser revisada e atualizada constantemente, e as ações pertinentes devem ser executadas e monitoradas tão logo se façam necessárias.

Espero que essas dicas possam ser úteis.

Abraço,

Eamon

Gerenciamento Estratégico

O que é Estratégia?

Segundo a Wikipedia, estratégia é a definição de como recursos serão alocados para se atingir determinado objetivo.

Segundo Sun Tzu, em A Arte da Guerra, a estratégia é a chave para se chegar à vitória no campo de batalha: “um exército vitorioso ganha primeiro e inicia a batalha depois; um exército derrotado luta primeiro e tenta obter a vitória depois”.

E eis como o Capitão Nascimento descreve o conceito de estratégia:

Em resumo: Estratégia é a antecipação, ainda no campo do planejamento, das ações a serem tomadas e seus possíveis desdobramentos para a obtenção dos resultados desejados, é a arte de aplicar os meios disponíveis ou explorar condições favoráveis com vista a objetivos específicos.

Estratégia e Gerenciamento de Projetos

O quê estratégia tem a ver com Gerenciamento de Projetos? Tudo…

Em uma organização com foco em gerenciamento de projetos (management by projects) a estratégia organizacional se reflete nos objetivos de cada projeto, que, individualmente, suportam a visão da empresa. A estratégia se transforma em ações através dos projetos!

Para aproveitar ao máximo as oportunidades, o foco do gerente de projeto deve ser tanto tático quanto operacional. Nesse sentido cada projeto age como um elemento ativo na implementação da visão estratégica da empresa, ajudando a organização a desenvolver vantagens competitivas. Do sucesso dos projetos e do alcance de seus objetivos individuais depende o sucesso das estratégias e, em decorrência, o sucesso da organização.

Isso só é obtido através de um planejamento cuidadoso de cada projeto, uma vez que é nessa fase que as linhas mestras de condução do projeto são traçadas. Os diversos processos que compõem a fase de planejamento formam a estrutura de sustentação do projeto, ajudando a minimizar os riscos de ameaças e maximizar as oportunidades que surjam.

Mas, assim como o planejamento do projeto é revisto e atualizado constantemente, a estratégia também precisa refletir a situação do projeto.

Abraço, Eamon Sousa

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