Metodologia ágil ou tradicional: porque não as duas?

Os modelos ágeis de gestão vem ganhando cada vez mais espaço nas organizações, mas nem sempre são bem aceitas ou entendidas por gerentes/executivos acostumados com o gerenciamento de projetos no modelo tradicional (em cascata, ou waterfall). As discussões sobre vantagens e desvantagens de cada modelo são, muitas vezes, inflamadas e polarizadas, onde cada um dos lados tenta doutrinar o outro.

Por mais que cada modelo ofereça uma série de vantagens e desvantagens (que devem ser avaliadas por cada organização e, mais especificamente, cada tipo de projeto) o que eu tenho visto é que a implementação “pura” de um modelo ou de outro é muito rara. Poucos são os lugares onde o gerenciamento do projeto segue dogmaticamente os preceitos (“boas práticas”) listadas no PMBoK ou que executem todos os seus projetos usando Scrum, por exemplo. Se olharmos criticamente um conjunto de projetos de determinada empresa é muito provável que vejamos a utilização de práticas de ambos modelos.

O objetivo desse post é compartilhar uma experiência onde tive a oportunidade de trabalhar com os dois modelos simultaneamente no mesmo projeto, e discutir sobre os ganhos percebidos, dificuldades encontradas e adaptações (tailoring) necessárias.

Histórico do projeto

O projeto tratava do desenvolvimento de uma inovação em um produto do cliente, cuja janela de inserção no mercado era bem definida (e restrita). Os requisitos do sistema, por sua vez, eram bastante complexos, e ainda não totalmente especificados (o que ocorreu ao longo do projeto).

Devido à importância estratégica do projeto o cliente necessitava validar entregas parciais e ter algumas funcionalidades implementadas em versões de demonstração do produto para ser utilizado em “Road Shows”. Assim, uma das ações para garantir a execução desse trabalho foi o estabelecimento de um contrato para a alocação de um time de tamanho fixo durante um período determinado.

Considerando as características do projeto o modelo de desenvolvimento escolhido foi o Scrum, uma vez que este permitiria tratar o desenvolvimento do produto de forma incremental e ainda assim garantir a qualidade do produto e do processo (outro requisito importante para o cliente).

No entanto, apesar de entender o funcionamento do modelo “puro” do Scrum o cliente demandou um acompanhamento nos moldes tradicionais, considerando um projeto “waterfall” e artefatos previstos no modelo de maturidade CMMi. Com isso, por exemplo, foram criados o cronograma macro de entregas descrito em um gráfico de Gantt, algumas métricas de acompanhamento de valor agregado e relatórios de status semanais.

Desafios

Em virtude dessa gestão “mista” foi necessário avaliar processos e práticas das duas correntes de pensamento e avaliar criticamente o uso das mesmas no projeto, tendo em mente a não duplicação do trabalho e a otimização do tempo e esforço para a gestão do projeto, com a garantia do atendimento das expectativas dos stakeholders.

Como resultado dessa análise alguns processos tiveram de ser adaptados. Já alguns outros continuaram a ser executados da mesma maneira, uma vez que o resultado produzido era o mesmo ou não apresentava diferenças significativas usando um dos métodos.

Os ajustes no processo foram sendo feitos e validados com o cliente ao longo do projeto, com o consequente mapeamento das práticas e grupos de processos de modo a gerenciar o projeto de forma eficiente.

A prática 

As principais disciplinas exercidas durante o projeto estão listadas a seguir, juntamente com uma explanação de como elas foram executadas.

Gestão do escopo

O escopo do projeto foi dividido em pacotes de trabalho, sendo que cada requisito foi detalhado pelo analista de requisitos para a criação do product backlog do projeto. No entanto, diferentemente de um projeto ágil puro, toda a quebra dos requisitos em estórias e atividades foi feita durante o planejamento do projeto e o backlog resultante foi usado como guia para o planejamento das iterações (sprints).

Quaisquer mudanças nos requisitos do projeto, seja por entendimento dos mesmos ou por alteração do escopo original, foram tratadas através de um procedimento de “Solicitações de Mudança” (Change Requests), onde as mudanças eram analisadas, detalhadas e incluídas no product backlog.

Gestão do cronograma

Apesar do projeto ter sido executado usando Scrum o conteúdo de cada iteração foi definido com base na priorização do backlog feita pelo Product Owner ainda durante a fase de planejamento. Como o conteúdo de cada iteração estava, em grande parte, definido de antemão a reunião de planejamento de cada sprint focava no balanceamento de volume de trabalho (esforço) e força produtiva disponível (capacidade), além de fazer adaptações necessárias na velocidade do time e incorporação de atividades remanejadas de outros sprints.

Como o Gerente de Projetos do cliente precisava ter visibilidade do projeto como um todo, foi criado um cronograma no MS-Project para acompanhar a execução de cada requisito, sendo que os milestones definidos continham um subconjunto de requisitos que seriam implementados. O cronograma era acompanhado com base no progresso dos sprints, e servia como referência para coleta de métricas do projeto.

O acompanhamento do projeto se dava tanto pelo cronograma de funcionalidades quanto pelo gráfico de burndown de cada sprint. Os dados do cronograma eram usados para informar o progresso do projeto como um todo, enquanto o burndown indicava o progresso de cada sprint.

Gestão do custo

Como o time de projeto era fixo a gestão dos custos do projeto limitou-se ao controle de despesas, o que simplificou a tarefa. Os índices de valor agregado derivavam diretamente dos dados inseridos no MS-Project.

Gestão da comunicação

O plano de comunicação foi criado no início do projeto após a identificação de todos os stakeholders. Para cada tipo de informação a ser divulgada foi definida a periodicidade e sua audiência, bem como o propósito e o responsável pela coleta e divulgação de cada informação. O time de projeto era informado regularmente através das reuniões diárias e demais cerimônias (planning, review) do sprint. Já a alta gerência e o cliente eram informados através de relatórios semanais de progresso.

Um mapa com papéis e responsabilidades de cada stakeholder foi criado e divulgado, de modo a tornar público todos os canais de informação do projeto.

Gestão de riscos

O processo de identificação e análise qualitativa dos riscos, bem como o planejamento de resposta aos mesmos, seguiu o processo tradicional, com o uso de uma planilha de acompanhamento atualizada semanalmente, sendo que o time e demais stakeholders eram envolvidos no processo através das reuniões diárias, reuniões periódicas de status e cerimônias do Scrum.

Gestão da qualidade

O projeto seguiu um processo de desenvolvimento aderente ao CMMi e foi acompanhado por um analista da área de Qualidade, que auditava periodicamente (a cada final de sprint) as entregas (artefatos) do mesmo. A qualidade era garantida através da criação e acompanhamento de itens de “Não Conformidade” em ferramenta específica, que eram enviados ao cliente mensalmente.

Gestão de RH:

A alocação de pessoas foi facilitada pelo fato do time ter um tamanho fixo ao longo de todo o projeto. Como a estrutura da empresa é do tipo matricial o gerente funcional era responsável pela alocação das pessoas, mas uma vez definido o time com as habilidades necessárias (com base no escopo definido) o esforço de gestão foi reduzido, limitando-se ao planejamento e controle de ausências ocasionais e períodos de férias, bem como, obviamente, ao acompanhamento do desempenho dos membros da equipe.

Gestão de aquisições:

Não foi necessário durante o projeto.

Conclusão

A amostra de projetos executados com essa metodologia é pequena e limitada aos projetos que eu gerenciei para esse cliente específico mas, apesar do trabalho inicial de análise ter tomado algum tempo, os resultados foram bastante satisfatórios.

O gerente de projetos do cliente ficou satisfeito por ter a visibilidade que precisava, e os produtos dos projetos foram entregues no prazo e com qualidade necessária. Um resultado adicional, que comprova a eficiência do modelo, é que ele tem sido adotado inclusive por outros parceiros com quem esse cliente executa projetos.

E você, tem alguma experiência desse tipo?

Eamon Sousa

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O que é projeto?

Consultando qualquer referência bibliográfica, dentre elas o PMBoK, pode-se obter uma definição de projeto como sendo “um esforço temporário empreendido para criar um produto, serviço ou resultado único”.

Até aí, nenhuma novidade. Agora, colocando de forma ‘visual’ a estruturação inicial de um projeto, através de seu Termo de Abertura, temos:


Esta forma de apresentação é semelhante à utilizada nos chamados mapas mentais (link) para a estruturação de ideias, informações, etc.

Giovani Faria

Meus posts

O Sim, O Não e O Talvez

Por Giovani Faria

Enquanto gerente de projetos você deve ser frequentemente questionado, por exemplo:

  • a aceitar novos desafios (projetos para gerenciar)
  • a dar seu parecer/opinião sobre determinado assunto (problema) relacionado ao projeto
  • a fornecer sua visão de como pode (ou deve) ser o andamento do projeto
  • etc.

Assim, em um ambiente dinâmico de gerenciamento de projetos (projetos, portfólios e programas) a gama de demandas deve ser praticamente ‘infinita’, ou então, ser acima de sua capacidade física-mental-temporal de gestão.

Pois bem, quer seja nas ‘condições normais de temperatura e pressão – CNTP’, ou neste contexto onde você pode ser chamado a atender demandas prioritárias (ou urgentes) para a organização que representa, uma simples resposta SIM ou NÃO pode (e provavelmente, vai) fazer toda a diferença.

Existem vários posts na blogosfera ‘ensinando’ ao GP como dizer NÃO para diferentes ‘entidades’, como por exemplo:

  • a organização onde trabalha: rejeitando um novo trabalho ou um recurso (humano, infra, etc) para um projeto em andamento.
  • o sponsor do projeto: rejeitando o prazo estipulado para o projeto ou o orçamento previsto.
  • o cliente: negando atender a alguma demanda que possa provocar algum distúrbio no andamento do projeto (ou favorecer a ocorrência de um risco em potencial).
  • o time: barrando um pedido de férias, promoção, etc.

Novamente, as circunstâncias são várias e as consequências desse negativa (desse NÃO) podem ser catastróficas, senão, fontes de grandes dores de cabeça e longas discussões (e reuniões).

Por outro lado, simplesmente aceitar (dizer SIM) não é garantia da ausência de cefaléia e da necessidade, novamente, de muita conversa (e negociação) para deixar tudo nos trilhos novamente. Esse ‘inofensivo’ SIM pode, por exemplo, demandar um replanejamento de uma porção grande do projeto (já que você, por exemplo, teria aceitado antecipar uma entrega futura).

O TALVEZ parece, num primeiro momento, ser uma reposta um tanto quanto neutra, ou mesmo extremamente vaga e evasiva. Além disso, dependendo da maneira como é esta resposta é colocada na discussão pode ser, imediatamente, entendida como um SIM ‘disfarçado’, ou então, como um NÃO ‘cauteloso’.

O TALVEZ deve ser utilizado como uma estratégia de ganhar um pouco mais de tempo para a análise e coleta de informações e deve sempre vir acompanhado de um plano de ação. Por exemplo, a resposta poderia ser: “Vou verificar a informação xyz e solicitar uma posição do departamento xpto. Depois disso, até o meio da próxima semana, vou agendar uma reunião para fecharmos o assunto e decidir pela sua continuidade (SIM) ou NÃO.”.

Neste contexto, o TALVEZ é a ‘saída pela direita’, um subterfúgio estratégico para lhe permitir analisar melhor e ter mais dados, parâmetros e segurança para decidir (mesmo porque, em alguns casos, essa decisão pode exceder seu limite de autoridade e de responsabilidade).

Agora, embora você possa estar na posição da vidraça, onde é o alvo da maioria (senão de todas) as demandas, um bom artifício é procurar ‘virar o jogo’ a seu favor. Ou seja, com cuidado, lógica e estratégia, procurar fazer também perguntas, questionamentos e solicitações que, embora sejam pertinentes e visem atender de maneira mais completa (e profissional) a demanda inicialmente recebida, acaba por lhe proporcionar uma condição onde o lado requisitante, mesmo sendo a origem do ‘problema’ (demanda), é chamado a participar de forma ativa na solução.

Resumindo: o GP não deve, necessariamente, dizer SIM para tudo. Nem tampouco, dizer NÃO sempre. Pode até usar o TALVEZ como estratégia para ganhar tempo (e usar suas competências analíticas de forma mais estruturada). Entretanto, SEMPRE deve ter uma resposta (ou argumento) consistente, ou seja, mostrar que entende e está no controle da situação.

Minha lista de posts

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Receita de ‘Bolo’

Bolo “Projeto”

Ingredientes:

  • 1 boa dose de capacidade de negociação para evitar prazos irrealistas (e estressantes para a equipe).
  • Bastante objetividade para a correta definição dos objetivos do projeto.
  • 1 bom tanto de paciência para lidar com os interesses dos stakeholders.
  • Toneladas de dedicação para garantir uma comunicação eficaz e fluida.
  • Alguns kg de sensatez para tratar as solicitações de mudança.
  • 1 colher de sopa bem cheia de perspicácia para explorar os recursos disponíveis e desenvolver sua competência.
  • 1 pitada de motivação para contaminar a equipe.

Modo de Preparo:

  • Entenda 1 a 1 os requisitos do cliente e documente-os adequadamente.
  • Junte a equipe e obtenha seu comprometimento com os objetivos.
  • Misture tudo e leve ao forno (monitorando constantemente).

 Rendimento:

  • Entregas feitas no prazo, custo e com a qualidade necessária.
  • Cliente satisfeito.
  • Sponsor tranquilo.
  • Equipe motivada.

Bom apetite,

Giovani Faria

Meus posts

Relatório de Progresso

Um interessante instrumento de comunicação com os stakeholders do projeto, e em especial, com o(s) patrocinador(es), é o relatório de progresso.

Um dos resultados alcançados com este reporte regular e adequado às expectativas das partes interessadas é a criação de uma relação de confiança, onde os stakeholders conseguem observar a evolução do projeto e, principalmente, avaliar seu status.

O tipo de informação a ser apresentado e a sua formatação são bastante influenciadas pelo nível hierárquico e/ou nível de decisão do stakeholder e do seu envolvimento no dia a dia do projeto.

Por exemplo, um relatório de progresso enviado ao corpo técnico do projeto não precisa, necessariamente, apresentar o acompanhamento do cronograma financeiro do projeto. Da mesma maneira que este relatório, quando apresentado ao corpo gerencial da organização, não precisa (ou nem mesmo deve) conter detalhes técnicos da implementação e descrições detalhadas de uma dada atividade.

Então, qual a maneira adequada a ser utilizada?

Tenho trabalhado em diferentes projetos, com diferentes stakeholders que demandam diferentes níveis de informação ou detalhamento. Abaixo, uma lista dos tipos de relatório de progresso utilizados:

  • Exemplo 1: preparado e distribuído no corpo do e-mail.
  • Exemplo 2: preparado em documento word, enviado na forma digital e formalmente assinado.
  • Exemplo 3: preparado na forma de apresentação (powerpoint), armazenado no repositório de projeto e o link para acesso é distribuído.

Pois bem, as três formas, desde que em comum acordo, estão adequadas. Claro que, independente da forma, a informação apresentada é que tem o maior peso na escolha.

Agora, a decisão sobre qual forma escolher envolve:

  • avaliar a quantidade e o tipo de informação a ser apresentado.
  • verificar a disponibilidade e o acesso ao repositório de documentos do projeto.
  • analisar a necessidade de formalização (aceite).

Nos exemplos anteriores, a escolha foi feita com base em:

  • Exemplo 1: Escolhido devido a baixa complexidade do projeto, onde a quantidade de informações a serem inseridas era mais reduzida e o projeto tinha curta duração.
  • Exemplo 2: Devido às demandas impostas pelo cliente (e por contrato), o relatório de progresso (que precisava ser formalmente aceito) era avaliado e assinado. Além da assinatura, vários itens gráficos precisavam ser inseridos para facilitar a interpretação das informações e a rápida identificação do status do andamento do projeto.
  • Exemplo 3: Projetos de maior complexidade tem seu reporte facilitado com o uso dessa ferramenta já que fazê-lo no corpo de um e-mail deixaria o texto extremamente longo o que poderia prejudicar a leitura e identificação de pontos de atenção por parte dos stakeholders. Além disso, uma ferramenta adequada permite uma riqueza gráfica que, muitas vezes, torna a leitura mais agradável.

Para deixar mais clara a dificuldade em definir um formato único para o relatório de progresso, vou comentar um feedback interessante que recebi de um gerente (de um nível hierárquico mais elevado na organização) sobre o reporte que eu enviava aos stakeholders (dentre eles o cliente e este mesmo gerente). A avaliação dele foi mais ou menos assim: “… ótimo reporte, bastante completo e bastante extenso também…”. Entendi como um feedback bom, já que o comentário deixou claro que sua percepção era de que eu tinha o projeto sob controle, mas ao mesmo tempo, que havia muita informação para ser analisada.

Então, fiquei analisando este feedback e me indagando como seria possível construir um relacionamento de confiança com o cliente, mantê-lo informado sobre o progresso e, principalmente, sobre os riscos e/ou problemas encontrados, com o mínimo de informação?

Assim, minha interpretação é a de que cada projeto e cada stakeholder vai demandar diferentes níveis de detalhamento e até mesmo de ‘quantidade’ de informação. Assim, cabe ao gerente do projeto analisar as solicitações, dimensionar o esforço necessário e preparar a informação.

Giovani Faria

Meus posts

Gerenciando Projetos Vencedores

Aproveitando o momento em que a atenção de alguns bilhões de pessoas ao redor do mundo está voltada para os eventos acontecendo na África do Sul eu me permiti fazer uma analogia entre a composição de um time de futebol e o fluxo de um projeto.

O seu projeto, assim como uma seleção disputando uma Copa do Mundo, é cercado de expectativas desde o início da competição. Entender o resultado esperado é só o primeiro passo rumo à conquista do título disputado.

Você quer ser um Campeão do Mundo? Então pegue a sua vuvuzela e avalie criticamente cada item dessa analogia…

A escolha do treinador

Pois bem, você foi designado para gerenciar um novo projeto. Assim como quando um treinador é escolhido para treinar uma seleção importante foram dadas em suas mãos as rédeas para conduzir esse projeto até sua conclusão, preferencialmente de maneira satisfatória.

Todas as esperanças estão depositadas em seu trabalho, e a conquista de um título (término do projeto dentro do prazo e custo combinados, com retorno financeiro adequado, etc.) passa a ser de sua responsabilidade. São suas ações e suas escolhas que vão determinar o sucesso do projeto ao longo da “competição”.

A grande diferença entre um treinador de seleção e um gerente de projetos é que o primeiro é  “dono do projeto” ele faz o que quer com o time sem a necessidade da aprovação ou mesmo o consentimento dos stakeholders, e ele não faz um controle de mudanças que é um dos itens mandatórios no gerenciamento de projetos.

A escalação

A primeira grande responsabilidade de um técnico é selecionar adequadamente seu time. Para isso ele deve conhecer as características de cada jogador e ter a visão de como cada um pode contribuir para o time de maneira mais efetiva. Seu trabalho como gerente de projetos não é diferente, você tem que selecionar dentro dos perfis disponíveis na sua empresa aqueles colaboradores que podem contribuir de maneira mais efetiva para seu projeto.

Assim como um técnico de uma seleção você provavelmente vai ter que contar com alguns perfis específicos de jogadores para montar seu time, como por exemplo:

  • O craque – aquele funcionário que é reconhecido por sua capacidade técnica e é disputado por todos os projetos;
  • A estrela – o profissional que é tecnicamente superior à média, mas acha que o time inteiro deve jogar em função dele;
  • O queridinho do patrocinador – aquela pessoa que você vai ter que aceitar em seu projeto porque o patrocinador (leia-se, alguém em posição hierárquica superior à sua) “gostaria” muito que participasse do seu projeto;
  • O “só jogo nessa posição” – aquele profissional que reluta em mudar de atividade, mas que você sabe que pode até produzir desde que possa “jogar mais recuado” ou “chutar mais para o gol”;
  • O “pau pra toda obra” – aquele profissional que “joga” em qualquer posição e te dá flexibilidade para mudar o esquema tático;
  • O perna-de-pau – você não achou que ia conseguir montar um time só com craques, achou?

Cabe à você fazer todos os jogadores trabalharem juntos para o bem do time. Além disso é essencial que você monte um time capacitado tecnicamente para disputar o campeonato, que é a execução do seu projeto. Um treinador de seleção de primeira linha pode até montar um time só de craques ou estrelas mas, como nos projetos da sua empresa, isso nem sempre é possível, o que evidencia a importância do trabalho do “treinador”.

A concentração

Se concentração ganhasse jogo o time da cadeia não perderia nenhuma, diz a antiga piada. No entanto a maioria dos treinadores não abrem mão desse artifício devido aos benefícios do mesmo. Da mesma, forma um time de projeto que esteja localizado em um mesmo local físico ganha em sinergias e integração dos membros, que geralmente resulta em maior produtividade no projeto.

Note que isso não é uma regra, mas se adotada certamente traz bons resultados.

O esquema tático

Assim como o time que entra em campo sem um planejamento tático, um projeto sem planejamento estratégico e operacional está fadado a, no mínimo, enfrentar dificuldades. Uma das características mais importantes de um técnico de futebol é ter uma visão estratégica do jogo e um bom planejamento tático, de modo a mudar completamente a forma de jogo com poucas alterações. Essa flexibilidade é alcançada com planejamento, treinamento e uma formação de time que comporte adaptações.

Em seu projeto visão estratégica deve estar descrita em seu Plano de Projeto, e as mudanças táticas devem ser resultado dos processos de monitoramento e controle do projeto. E, da mesma forma, a “visão de jogo” faz a diferença entre gerentes e gerentes.

O analista

Tudo bem, muito provavelmente você não vai ter uma pessoa que vai ficar “espiando” os outros projetos mas, da mesma forma que o resultado esperado de um espião é o fluxo de informações táticas ao treinador, é importante que o gerente de projetos tenha sempre a preocupação de entender a estratégia da empresa e os impactos dela em seu projeto. É imprescindível que o gerente de projetos esteja alinhado com as expectativas da gerência executiva e tenha ciência do resultado esperado do seu projeto.

Os torcedores

Muitas vezes chamados de 12° jogador devido à relevância que a torcida pode ter no decorrer de uma partida, os torcedores podem apoiar ou mesmo prejudicar o desempenho de um time. Igualmente, os stakeholders do seu projeto tem o poder de influenciar seus resultados, e nem sempre de forma positiva.

É pouco provável que seu projeto tenha 190 milhões de stakeholders torcendo por seu projeto, mas é essencial que você conheça cada stakeholder e avalie o impacto de suas necessidades em seu projeto.

O jogo

O jogo é a realização prática de toda esperança depositada no treinador e no time, da mesma maneira que a fase de execução do projeto é a implementação de seu planejamento. É durante o jogo que o esquema tático é posto à prova e caso ele se prove ineficiente mesmo os melhores times enfrentarão dificuldades em campo. O seu planejamento vai dar a linha mestra pelo qual seu time vai seguir, e o resultado do seu projeto está intrinsecamente ligado a ele.

Em um jogo, o entrosamento do time é essencial para um bom desempenho na partida, e o mesmo vale para o seu projeto. A boa escolha dos jogadores e um treinamento adequado minimizam riscos e colaboram para a disciplina em campo.

Conclusão

E então, quem vai ganhar a Copa do Mundo? Difícil dizer, afinal “o futebol é uma caixinha de surpresas”… Mas aqui reside a principal diferença entre um campeonato e o seu projeto: com planejamento, disciplina, dedicação e, principalmente, escolhas certas o seu projeto tem todas as chances de ser também campeão.

Eamon

Série: Gestão de Projetos – Monitoramento e Controle #4

Tão logo se iniciem as atividades de execução do projeto, para que se tenha o controle do andamento das mesmas é necessário monitorá-las de forma sistemática e regular.

Saber exatamente o progresso (performance) do projeto é essencial para poder tomar as ações necessárias de modo a garantir que o projeto seja concluído de acordo com o plano (considerando suas restrições: custo, escopo, tempo, qualidade, etc.).

Neste processo procura-se responder, entre outras, a algumas questões:

  • As atividades estão dentro do cronograma?
  • Todo (e somente) o escopo está sendo implementado de acordo com os requisitos?
  • Quais as previsões para os resultados do projeto considerando as tendências atuais?

Com os objetivos previamente definidos e o plano de projeto estabelecido, é preciso avaliar a situação atual do projeto e estabelecer planos de ação para corrigir desvios e implementar ações para melhoria de performance.

Neste procedimento de monitoramento é bastante provável (e razoável) que tenham que ser gerados relatórios de progresso. A metodologia de distribuição dessa informação, documentada no plano de comunicações, deve incluir entre os stakeholders, por exemplo:

  • PMO: Escritório de Projetos (quando esta estrutura existir na organização), para suporte e garantia do uso de práticas/metodologias eficientes de gerenciamento.
  • Gerente do Programa: gerente ao qual o projeto em questão está vinculado. É um importante stakeholder uma vez que é responsável por direcionar os recursos disponíveis para os diferentes projetos em andamento.
  • Cliente: que pode se envolver em maior ou menor grau no andamento do projeto. É muito interessante tê-lo mais próximo do projeto compartilhando riscos e auxiliando na sua mitigação. Em projetos que seguem metodologias ágeis, como o SCRUM, refere-se ao Product Owner.

As entregas do projeto são item de especial atenção do projeto. O correto entendimento dos requisitos e sua implementação determinam, em grande parte, o sucesso do projeto. Entretanto, durante o andamento do projeto é possível que ocorram solicitações de mudança (escopo, prazos, custos, etc.). Estas solicitações podem partir do próprio cliente (ex. alterações de escopo) e também do projeto (ex. mudança de prazos). Para este controle, algumas questões importantes:

  • Todas as solicitações de mudança foram (ou estão em processo) analisadas?
  • As solicitações de mudanças aprovadas foram implementadas?
  • A linha de base do projeto precisa ser alterada? As partes interessadas estão de acordo com as mudanças propostas?

Finalmente, para compor os demais aspectos sob monitoramento, é importante responder às seguintes questões:

  • O andamento das atividades está dentro do cronograma estabelecido?
  • O custo planejado está sendo refletido no custo realizado no período?
  • Os riscos do projeto estão sendo revistos regularmente, e as correspondentes ações (ver série Riscos em Projetos) foram (ou estão sendo) tomadas?
  • Os contratos estão sendo cumpridos?

Quando mais complexo o projeto, maior o número de itens a serem monitorados e maior o número de vezes que os processos de monitoramento e controle serão realizados. O acompanhamento constante e detalhado traz maior segurança aos envolvidos e auxilia na identificação de potenciais problemas antecipadamente.

(Série: Gestão de Projetos – Encerramento #5)

Giovani Faria

PS: Para acessar os demais posts dessa série:

Série: Gestão de Projetos – Planejamento #2

Passada a fase de Iniciação do Projeto (Série: Gestão de Projetos – Iniciação #1), onde o setup inicial é estabelecido e você adquire conhecimentos sobre o projeto e as partes inicialmente envolvidas e interessadas no resultado do mesmo, é preciso analisar as características do projeto e iniciar seu planejamento.

Ao final dessa fase esperam-se ter respondidas as seguinte perguntas:

  • Qual o esforço (total) do projeto?
  • Quais são seus objetivos?
  • Qual o plano (de projeto) para atingir estes objetivos?

Entretanto, é importante ter em mente que ao longo do ciclo de vida do projeto é possível que novas informações sejam adicionadas ou que haja solicitações de mudanças por parte dos stakeholders. Dessa forma, os procedimentos (processos) de planejamento devem ser atividades recursivas (iterativas), já que o plano deve sempre refletir a realidade do projeto.

Os itens do planejamento de projeto (fonte principal de informações sobre as ações a serem executadas e como elas serão monitoradas e controladas) incluem – para citar as áreas do PMBoK – escopo, tempo, custos, qualidade, comunicação, risco e aquisições.

Considerando o volume, importância e detalhamento necessários, antes de continuar com a elaboração do plano, pode ser interessante definir um time de projeto:

  • Você precisa de uma equipe de projeto? Quantas pessoas?
  • Quais os tipos de competências necessárias (analista de requisitos, analista de qualidade, analista de configuração)?
  • Qual o planejamento inicial de atividades (quantidade de horas, prazos, disponibilidade de recursos) para esta equipe?

Obviamente que à medida que as demandas vão sendo melhor entendidas, novas pessoas, ou melhor, novas competências podem ser requeridas.

A formação dessa equipe de projeto é também um dos fatores de sucesso do projeto, uma vez que são definidos papéis e responsabilidades. Com as competências necessárias alocadas no projeto é esperado um melhor desempenho na resposta à algumas questões:

  • Quais os requisitos (necessidades dos stakeholders) do projeto?
  • Quais os resultados esperados (produtos) do projeto?
  • Quais as entregas do projeto?

Aumentando o nível de detalhamento, passamos para a definição das atividades a serem executadas:

  • Quais são as atividades necessárias para a conclusão de cada entrega?
  • Em quanto tempo todas as atividades podem ser concluídas?
  • Existe dependência entre as atividades?
  • Quais os recursos (materiais, humanos, equipamentos) necessários?

Com toda esta informação disponível, pode-se então estabelecer um baseline de custos, contemplando todas as necessidades do projeto para atingir seus objetivos, atendendo aos requisitos de qualidade definidos.

Completando as informações necessárias ao plano de projeto temos alguns planos como: Plano de Comunicações, de Riscos (assunto que já está sendo tratado na Série Riscos em Projetos) e de Aquisições.

Com o plano elaborado, chegou a hora de executar.

(Série: Gestão de Projetos – Execução #3)

Giovani Faria

PS: Para acessar os demais posts dessa série:

Série: Gestão de Projetos – Iniciação #1

Um novo projeto foi iniciado e você foi eleito o gerente. Parabéns!

Mas, por onde começar? Você acaba de finalizar um curso (pós, MBA, …) em gerenciamento de projetos. O conhecimento teórico (e alguns estudos de caso) está todo a sua disposição. É hora de aplicar “conhecimentos, habilidades, ferramentas e técnicas às atividades do projeto a fim de cumprir seus requisitos.” Mas, a falta de experiência lhe traz um pouco de desconforto, de insegurança.

A seguir, serão apresentados alguns questionamentos que você pode (e até mesmo deve) fazer para dominar a situação e conduzir o projeto.

Vamos considerar que em sua empresa existe a boa prática de alocar o gerente do projeto logo no início (na fase e Iniciação), quando ainda está sendo definida a declaração preliminar de escopo.

Pois bem, nesta hora, você já pode “se intrometer” e começar a apontar demandas/restrições/riscos/etc., que influenciarão o andamento do projeto. É importante ter em mente que no início do projeto, os envolvidos tem maior influência na definição do produto do projeto. Então:

  • Quais são as informações disponíveis?
  • O escopo (preliminar) já está definido?
  • E o orçamento?
  • Outras informações disponíveis? (Business Case, contratos)

Estas informações são seus balizadores para a definição dos requisitos (objetivos) do projeto, e para tanto você precisa descobrir:

  • Quem são as pessoas interessadas e mais influenciadas pelos resultados desse projeto? (clientes, usuários, desenvolvedores, patrocinador, gerência operacional, gerência executiva, escritório de projetos, fornecedores, etc.)

De posse dessa informação, você parte para a etapa de entender melhor as necessidades desses stakeholders e sua influência no andamento do projeto:

  • Quais são suas demandas e expectativas?
  • Qual o poder de influência no projeto de cada uma das partes interessadas?
  • Quais os impactos (positivos ou negativos) que cada um pode provocar?

Além disso, é preciso determinar como este projeto será avaliado em relação aos seus resultados:

  • Quais os critérios para o sucesso do projeto?
  • Quais os procedimentos para aceitação formal de suas entregas?

Assim, o resultado esperado dessa fase do projeto, com a consolidação das informações obtidas, é a conclusão do Termo de Abertura (que estabelece oficialmente o projeto e o “gerente de projeto recebe autoridade para aplicar recursos organizacionais às atividades do projeto”).

Assim, é hora de planejar…..

(Série: Gestão de Projetos – Planejamento #2)

Giovani Faria

 

PS: Para acessar os demais posts dessa série:

Dicas para um bom Gerenciamento de Projetos

Como gerenciar um projeto de maneira efetiva? Não existe uma resposta certa para essa pergunta, da mesma forma que não existe só uma forma de gerenciar um projeto. O que existem são boas práticas que contribuem para um gerenciamento eficaz, levando-se em consideração o ambiente do projeto.

Não existem fórmulas mágicas ou guias passo-a-passo, mas sim, diferentes caminhos que podem ser tomados ao longo das fases de planejamento e execução, e que conduzem à conclusão do projeto com sucesso. Tudo se resume a escolhas: se boas, o caminho é mais fácil e o resultado final tende a ser mais favorável; se ruins, a tendência é que o projeto seja mais “desafiador”.

A intenção desse post não é ser um guia para o gerenciamento de projetos, mas sim uma coletânea de dicas e pontos de atenção que venho usando em meus projetos mas que, por serem genéricas, podem ser aplicadas a qualquer projeto.

1. Escopo

O escopo é a razão principal do projeto e, portanto, deve ser vigiado e acompanhado com muita atenção. A aderência ao escopo é um dos principais fatores pelo qual o sucesso de seu projeto vai ser julgado, portanto todo cuidado é pouco.

Existem dois fatores que podem comprometer seriamente seu escopo e, indiretamente, o prazo e o custo de seu projeto e que devem ser evitados a todo custo:

  • Gold plating: é aquela vontade quase incontrolável de dar uma melhorada no que estamos entregando ao cliente, mas que não está descrita nos requisitos ou no contrato. O problema é que corremos o risco de gastar tempo e dinheiro implementando algo que o cliente não deseja e deixar de lado algo que seria essencial. Ou, pior ainda, acrescentar erros a alguma coisa que já estava funcionando. A verdade é que seu cliente não vai te recompensar por algo que você acrescentou, mas vai te penalizar por algo que você deixou de incluir.
  • Requisitos não implementados: se os requisitos não estão implementados, é porque o projeto não foi completado com sucesso. Simples assim!

2. Prazo

Desvios no prazo de um projeto, infelizmente, são extremamente comuns e, via de regra, não acontecem necessariamente por descuido ou descaso do Gerente de Projetos, mas sim devido à alguma alteração nos outros elementos do triple constraint. De qualquer forma, qualquer atraso na entrega de um projeto gera stress entre as partes envolvidas e também deve ser evitado. Se a data de entrega estiver vinculada à alguma cláusula contratual a situação fica ainda mais complicada.

Algumas atitudes que você pode tomar para minimizar o impacto nos prazos de seu projeto:

  • Revise seu planejamento – essa é uma atividade diária, seu plano de projeto é um documento vivo e deve ser constantemente atualizado. Com isso você consegue antecipar tendências negativas que te pegariam de surpresa mais pra frente.
  • Avalie o progresso constantemente – compare o progresso atual com o planejado, aja em caso de desvios. Ferramentas que eu uso para essa avaliação: EVA (Earned Value Analysis) e/ou Burndown charts.
  • Documente mudanças – qualquer alteração de custo ou escopo que tenha impacto no prazo do seu projeto deve ser acordada coms os stakeholders e posteriormente documentada.

3. Custo

Aqui, todo cuidado é pouco! Finanças é uma das áreas mais sensíveis dentro do campo de atuação de seu projeto. Qualquer desvio tem potencial de gerar ‘calor’.

O que você pode fazer para antecipar surpresas?

  • Estimativas – se você pode influenciar aqui, faça! Todos os estouros de budget que eu vi foram causadas por estimativas irreais. Se possível, tente manter suas estimativas o mais realistas possível. Se conseguir, isso vai te poupar muita dor de cabeça.
  • Controle – quanto mais crítico o projeto mais esse controle deve beirar a obsessão. Eu geralmente tento controlar os custos do projeto semanalmente através dos gastos e lançamentos, comparando sempre com o baseline do projeto.
  • Revise seu planejamento – o mesmo vale aqui, procure “gastar” de forma inteligente.

4. Qualidade

Mais do que um produto ou serviço bem feito a qualidade é a marca que seu projeto vai deixar no cliente. O problema é que a qualidade é muitas vezes implícita e não é discutida no início do projeto, mas é cobrada na entrega do mesmo. É uma prerrogativa do Gerente de Projetos zelar pela qualidade do resultado final do projeto, agindo pelo melhor interesse do cliente.

Para isso é necessário:

  • Seguir os processos estabelecidos – a aderência ao processo minimiza os riscos de desvio no padrão de qualidade.
  • Inspeção – a qualidade tem de ser medida ao longo do processo, quaisquer variações devem ser corrigidas o mais rapidamente possível.
  • Foco em prevenção – a máxima “melhor prevenir do que remediar” continua válida, quanto mais cedo um problema de qualidade for detectado mais barato será para corrigi-lo.

5.    Comunicação

Já foi dito que um Gerente de Projetos gasta, pelo menos, 80% do seu tempo se comunicando. Por mais que esse número possa parecer exagerado a grande verdade é que uma das funções maiores de um gerente é fazer as várias engrenagens de um projeto funcionarem juntas, como um maestro de uma orquestra, e para isso uma boa comunicação é essencial.

Dicas para melhorar a comunicação no seu projeto:

  • Identifique e gerencie todos seus stakeholders – isso significa entender quem pode influenciar seu projeto, qual a influência que cada um pode exercer e o que cada um espera do projeto.
  • Crie uma matriz de responsabilidades – facilita muito a comunicação entre stakeholders ao dar maior visibilidade das atividades, responsabilidades e necessidade de comunicação de cada parte envolvida.
  • Use os canais certos – procure sempre a maneira mais eficaz de se comunicar com cada parte interessada, não a que seja mais conveniente pra você! Algumas pessoas se comunicam bem por meios eletrônicos, outros necessitam de relatórios detalhados, e tem alguns que precisam do “olho no olho”.
  • Mantenha uma rotina de reporte – procure descrever os tópicos mais importantes do período de tempo entre relatórios, mostrando problemas, riscos e resultados alcançados. Além de garantir a distribuição de informação, isso vai te ajudar a manter o histórico do projeto.

6.    Recursos Humanos

Projetos tratam de resultados, e resultados se atingem através de pessoas. Por mais que o foco deva ser no resultado final do projeto o bom Gerente de Projetos sabe extrair os melhores resultados de seu time, motivando as pessoas e trabalhando metas atingíveis.

Formas de ganhar o comprometimento do time e alcançar os resultados desejados:

  • Entenda as diferenças – cada pessoa é diferente, e reage de formas diferentes a estímulos. É necessário estar atendo às particularidades da personalidade de cada pessoa, usando isso a seu favor na hora da comunicação.
  • Contrato de trabalho – é uma das formas mais úteis de ganhar comprometimento. Antes do início das atividades os objetivos do projeto, resultados esperados de cada pessoa e o modo de trabalho são discutidos e acordados individualmente, e as partes se comprometem a seguir esse “contrato”. Com isso, cada um sabe o que esperar e o que é esperado de si mesmo.

7.    Riscos

Uma característica comum em Gerentes de Projeto é não gostar de surpresas, e a melhor forma de evitar o inesperado é fazendo uma análise detalhada dos riscos do projeto.

Dicas para gerenciamento de riscos:

  • Envolva os stakeholders – muitas vezes um olhar diferente sobre o cenário pode levantar alguns riscos que tenham passado despercebidos. Seu time e o patrocinador do projeto vão detectar riscos diferentes.
  • Análise e acompanhamento constantes: sua lista de riscos deve ser revisada e atualizada constantemente, e as ações pertinentes devem ser executadas e monitoradas tão logo se façam necessárias.

Espero que essas dicas possam ser úteis.

Abraço,

Eamon

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