Tenho alguns amigos que pertencem a times de projeto e que trabalham subordinados a um Gerente de Projetos. Individualmente cada um deles contribui com seu trabalho nos projetos onde eles estão alocados. Nenhum deles está propenso a assumir abertamente que o estilo de liderança de seu gerente de projetos não é útil ao projeto, embora cada um deles afirme que seus gerentes normalmente tornam seus dias de trabalho uma verdadeira loucura.

Alguns dias atrás, conversei com um deles e no desenrolar da sua história perguntei: “Você está estressado com o seu gerente?” Sua reposta foi: “Sim, estou! Ele tem me deixado louco!”

E disse mais: Estamos em um projeto que pela sua natureza é extremamente estressante. Freneticamente estamos no final do projeto, existe muita coisa a ser feita e pouco tempo para fazê-las. Ele (o gerente) somente “quer que isso esteja pronto!”

Alguma coisa me diz que isso é bem familiar no gerenciamento de projetos…

E continuou: Certo dia, esse gerente me perguntou: Está quase tudo pronto, não está?

Pensei comigo, pergunta razoável… Porque será que ele ficou tão estressado com isso??

Meu amigo finalizou: Como bom gerente, ele sabia o que eu estava fazendo e sabia exatamente em que status estava o trabalho crítico que eu vinha realizando. E esse tipo de questionamento (principalmente naquelas condições – estressantes) não estava adicionando nenhum valor ao trabalho desse gerente e nem tão pouco ao próprio projeto.

É claro que o GP deveria ter suas razões para haver lhe perguntado isso. Mas a questão toda gira no quão útil esse tipo de pergunta possa ser. Poderia o GP ter lhe perguntado de maneira diferente?

A análise desse tipo de situação recai sobre o por que alguns membros do projeto vêem negativamente o gerente de projetos como sendo um ‘overhead’ ao projeto uma vez que o que precisa ser realmente feito é feito pelo time e não pelo PM.

A melhor conclusão que tive dessa conversa foi que ela me ofereceu uma oportunidade de reflexão:

1) Nós, gerentes de projetos, temos certeza que somos percebidos como alguém que agrega valor ao projeto o tempo todo?

2) Será que fazemos nosso trabalho (e nossas perguntas) com aparente prejuízo ao projeto aos olhos do time?

3) Como meu trabalho vem sendo percebido pelo time e pelos que coordenam projetos acima de mim?

Quais coisas são úteis e agregadoras de valor ao gerenciamento de projeto e quais delas não são percebidas como úteis pelo time de projeto?

Conversando ainda mais com esse amigo, pedi para ele citar alguns pontos que ele achava simplesmente inútil ao projeto/time e outros úteis ao projeto/time.

Os Úteis

  1. Kickoff de projeto visando ganho de competência do grupo, mencionando quais os objetivos do projeto, os desafios e os riscos do projeto.
  2. Uso das lições e melhores práticas de projetos anteriores.
  3. Identificar por que os erros foram cometidos e propor em conjunto com o time ações para que esses erros não sejam cometidos novamente.

 Os Inúteis

  1. Reports não objetivos, ou com informações duplicadas, ou aqueles que não informam nada de novo.
  2. Reuniões para saber qual o status do projeto.
  3. Causar pânico ou prover informações que possam desestabilizar o grupo.
  4. Não defender os interesses do grupo.  
  5. Procurar culpados.

Saudações, Marcelo

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