Aproveitando o momento em que a atenção de alguns bilhões de pessoas ao redor do mundo está voltada para os eventos acontecendo na África do Sul eu me permiti fazer uma analogia entre a composição de um time de futebol e o fluxo de um projeto.

O seu projeto, assim como uma seleção disputando uma Copa do Mundo, é cercado de expectativas desde o início da competição. Entender o resultado esperado é só o primeiro passo rumo à conquista do título disputado.

Você quer ser um Campeão do Mundo? Então pegue a sua vuvuzela e avalie criticamente cada item dessa analogia…

A escolha do treinador

Pois bem, você foi designado para gerenciar um novo projeto. Assim como quando um treinador é escolhido para treinar uma seleção importante foram dadas em suas mãos as rédeas para conduzir esse projeto até sua conclusão, preferencialmente de maneira satisfatória.

Todas as esperanças estão depositadas em seu trabalho, e a conquista de um título (término do projeto dentro do prazo e custo combinados, com retorno financeiro adequado, etc.) passa a ser de sua responsabilidade. São suas ações e suas escolhas que vão determinar o sucesso do projeto ao longo da “competição”.

A grande diferença entre um treinador de seleção e um gerente de projetos é que o primeiro é  “dono do projeto” ele faz o que quer com o time sem a necessidade da aprovação ou mesmo o consentimento dos stakeholders, e ele não faz um controle de mudanças que é um dos itens mandatórios no gerenciamento de projetos.

A escalação

A primeira grande responsabilidade de um técnico é selecionar adequadamente seu time. Para isso ele deve conhecer as características de cada jogador e ter a visão de como cada um pode contribuir para o time de maneira mais efetiva. Seu trabalho como gerente de projetos não é diferente, você tem que selecionar dentro dos perfis disponíveis na sua empresa aqueles colaboradores que podem contribuir de maneira mais efetiva para seu projeto.

Assim como um técnico de uma seleção você provavelmente vai ter que contar com alguns perfis específicos de jogadores para montar seu time, como por exemplo:

  • O craque – aquele funcionário que é reconhecido por sua capacidade técnica e é disputado por todos os projetos;
  • A estrela – o profissional que é tecnicamente superior à média, mas acha que o time inteiro deve jogar em função dele;
  • O queridinho do patrocinador – aquela pessoa que você vai ter que aceitar em seu projeto porque o patrocinador (leia-se, alguém em posição hierárquica superior à sua) “gostaria” muito que participasse do seu projeto;
  • O “só jogo nessa posição” – aquele profissional que reluta em mudar de atividade, mas que você sabe que pode até produzir desde que possa “jogar mais recuado” ou “chutar mais para o gol”;
  • O “pau pra toda obra” – aquele profissional que “joga” em qualquer posição e te dá flexibilidade para mudar o esquema tático;
  • O perna-de-pau – você não achou que ia conseguir montar um time só com craques, achou?

Cabe à você fazer todos os jogadores trabalharem juntos para o bem do time. Além disso é essencial que você monte um time capacitado tecnicamente para disputar o campeonato, que é a execução do seu projeto. Um treinador de seleção de primeira linha pode até montar um time só de craques ou estrelas mas, como nos projetos da sua empresa, isso nem sempre é possível, o que evidencia a importância do trabalho do “treinador”.

A concentração

Se concentração ganhasse jogo o time da cadeia não perderia nenhuma, diz a antiga piada. No entanto a maioria dos treinadores não abrem mão desse artifício devido aos benefícios do mesmo. Da mesma, forma um time de projeto que esteja localizado em um mesmo local físico ganha em sinergias e integração dos membros, que geralmente resulta em maior produtividade no projeto.

Note que isso não é uma regra, mas se adotada certamente traz bons resultados.

O esquema tático

Assim como o time que entra em campo sem um planejamento tático, um projeto sem planejamento estratégico e operacional está fadado a, no mínimo, enfrentar dificuldades. Uma das características mais importantes de um técnico de futebol é ter uma visão estratégica do jogo e um bom planejamento tático, de modo a mudar completamente a forma de jogo com poucas alterações. Essa flexibilidade é alcançada com planejamento, treinamento e uma formação de time que comporte adaptações.

Em seu projeto visão estratégica deve estar descrita em seu Plano de Projeto, e as mudanças táticas devem ser resultado dos processos de monitoramento e controle do projeto. E, da mesma forma, a “visão de jogo” faz a diferença entre gerentes e gerentes.

O analista

Tudo bem, muito provavelmente você não vai ter uma pessoa que vai ficar “espiando” os outros projetos mas, da mesma forma que o resultado esperado de um espião é o fluxo de informações táticas ao treinador, é importante que o gerente de projetos tenha sempre a preocupação de entender a estratégia da empresa e os impactos dela em seu projeto. É imprescindível que o gerente de projetos esteja alinhado com as expectativas da gerência executiva e tenha ciência do resultado esperado do seu projeto.

Os torcedores

Muitas vezes chamados de 12° jogador devido à relevância que a torcida pode ter no decorrer de uma partida, os torcedores podem apoiar ou mesmo prejudicar o desempenho de um time. Igualmente, os stakeholders do seu projeto tem o poder de influenciar seus resultados, e nem sempre de forma positiva.

É pouco provável que seu projeto tenha 190 milhões de stakeholders torcendo por seu projeto, mas é essencial que você conheça cada stakeholder e avalie o impacto de suas necessidades em seu projeto.

O jogo

O jogo é a realização prática de toda esperança depositada no treinador e no time, da mesma maneira que a fase de execução do projeto é a implementação de seu planejamento. É durante o jogo que o esquema tático é posto à prova e caso ele se prove ineficiente mesmo os melhores times enfrentarão dificuldades em campo. O seu planejamento vai dar a linha mestra pelo qual seu time vai seguir, e o resultado do seu projeto está intrinsecamente ligado a ele.

Em um jogo, o entrosamento do time é essencial para um bom desempenho na partida, e o mesmo vale para o seu projeto. A boa escolha dos jogadores e um treinamento adequado minimizam riscos e colaboram para a disciplina em campo.

Conclusão

E então, quem vai ganhar a Copa do Mundo? Difícil dizer, afinal “o futebol é uma caixinha de surpresas”… Mas aqui reside a principal diferença entre um campeonato e o seu projeto: com planejamento, disciplina, dedicação e, principalmente, escolhas certas o seu projeto tem todas as chances de ser também campeão.

Eamon

Anúncios