Por Giovani Faria

Você É (categoria 1): signifca que, além da vontade, você possui as habilidades e competências necessárias para o desempenho da função. Ou seja, você tem o perfil exigido pelo cargo (ou função).

Você Está (categoria 2): pode significar que, num belo dia de chuva, depois de ter perdido o fretado da empresa e ter gasto muito tempo e $$ pra chegar ao trabalho, você é surpreendido com uma notícia inesperada. “Parabéns Fulano de Tal, você acaba de ser indicado para a vaga de Gerente de Projeto!”.

Se você se enquadra no primeiro caso, bem, sem problemas. Agora, se o fato de ter nascido no dia 13 de agosto às 13:13h, de parto natural com fórceps o levou por um caminho onde nem trevo de 7 folhas, nem pé de coelho verde são capazes de dar jeito. Parabéns, você acaba de ganhar um abacaxi azedo com casca de ouriço do mar. Então, depois de tomar um banho de sal grosso e colocar um galho de arruda atrás da orelha, trate de arregaçar as mangas e fazer sua parte. Ou então, com muito jeitinho “Pede pra Sair!!!”.

Claro que existe uma terceira categoria de indivíduos que estão GPs (mesmo sem o serem), e que estão curtindo esta situação. Neste caso, quem não fica nada contente é  equipe, mas isso é assunto para outro post…quem sabe.

Mas o objetivo desse post é tentar traçar um caminho ‘natural’ para desempenhar bem a função. Para isso, vou listar algumas ‘fases’ desse processo:

  1. Descobrir sua aptidão.
  2. Absorver conhecimento.
  3. Desenvolver habilidades.
  4. Ganhar experiência.
  5. Conseguir reconhecimento.

A primeira fase não deve seguir necessariamente algum método científico e estruturado (embora você possa lançar mão desse tipo de recurso através de uma consultoria especializada em carreira). Aqui, a pessoa simplesmente se convence de que quer ser gerente de projetos. Talvez por se espelhar em alguém, ou porque acordou de mau humor e resolveu que de agora em diante quer ‘mandar’, e ponto.

Já a fase seguinte é mais fácil de estruturar (claro que um pouco de aconselhamento e suporte são bem vindos). A literatura disponível nos livros, sites especializados ou blogs é de grande valia. Mas, é preciso cuidado para escolher de onde tirar informação e, também muito importante, em que sequência estudar os diferentes tópicos envolvidos. O PMBoK por exemplo, tem uma ótima estrutura, mas, deve assustar quem está iniciando. Neste passo, recomendo livros mais ‘didáticos’, que introduzam o tema gerenciamento de projetos de uma maneira mais interessante (e talvez até mesmo, lúdica), unindo teoria e exemplos práticos para aplicação. Um livro que acho interessante é: Administração de Projetos (embora existam vários outros que possam ser utilizados como referência).

A próxima fase (3) – desenvolver habilidades – vai exigir, além de estudo, a possibilidade de vivenciar um ambiente de desenvolvimento de projetos para observar a maneira como ‘as coisas acontecem’, as ações tomadas e os resultados (e consequências) alcançados. Neste ponto o aprendiz de gerente de projeto pode, por exemplo, tanto ser um dos membros da equipe (um desenvolvedor), que observa o andamento do projeto sobre um outro ponto de vista (e não somente com a atenção voltada para seus itens de trabalho); como também pode ser um assistente de projetos que vai trabalhar diretamente com o gerente responsável na condução do projeto.

A fase 4 é bastante parecida com a anterior, mas aqui é importante que o aprendiz (ou gerente Jr) seja realmente o gerente do projeto. Assim, além de ter aumentada sua responsabilidade, passa a influenciar mais decisivamente no andamento e resultados do projeto (e principalmente, ‘sofre’ as consequências de ações inadequadas).

Este conjunto de fases deve lhe trazer segurança e maturidade na condução dos projetos. Neste sentido é preciso que você se avalie (de maneira isenta e, se possível, científica) e identifique suas forças (diferenciais) e fraquezas (habilidades a serem desenvolvidas), para ir corrigindo sua capacitação (e carreira).

Mas, de que adianta você ‘se achar’ ‘o cara’ se ninguém mais acha isso? Em um primeiro instante, seus subordinados (sua equipe de projeto) precisam reconhecê-lo como sendo um bom gestor de projetos. Além disso, seus pares (outros gerentes) e seus superiores também precisam ter visibilidade e respeito pelo seu trabalho. Além disso, num nível mais abrangente da fase 5, o mercado precisa conhecer e valorizar seu trabalho. Esta é a última, e talvez mais desafiante, fase de uma carreira bem sucedida (não só em gerenciamento de projetos).

Creio que dê para notar que cada fase em si já representa um desafio. E mais ainda, a evolução na carreira vai tornando as ações necessárias para a concretização de suas fases cada vez complexas.

E obviamente que um profissional atualizado vai acabar achando uma 6a, 7a,…. fase para continuar evoluindo.

Giovani Faria

Minha lista de posts

Posts Relacionados:

Anúncios