Por Giovani Faria

Enquanto gerente de projetos você deve ser frequentemente questionado, por exemplo:

  • a aceitar novos desafios (projetos para gerenciar)
  • a dar seu parecer/opinião sobre determinado assunto (problema) relacionado ao projeto
  • a fornecer sua visão de como pode (ou deve) ser o andamento do projeto
  • etc.

Assim, em um ambiente dinâmico de gerenciamento de projetos (projetos, portfólios e programas) a gama de demandas deve ser praticamente ‘infinita’, ou então, ser acima de sua capacidade física-mental-temporal de gestão.

Pois bem, quer seja nas ‘condições normais de temperatura e pressão – CNTP’, ou neste contexto onde você pode ser chamado a atender demandas prioritárias (ou urgentes) para a organização que representa, uma simples resposta SIM ou NÃO pode (e provavelmente, vai) fazer toda a diferença.

Existem vários posts na blogosfera ‘ensinando’ ao GP como dizer NÃO para diferentes ‘entidades’, como por exemplo:

  • a organização onde trabalha: rejeitando um novo trabalho ou um recurso (humano, infra, etc) para um projeto em andamento.
  • o sponsor do projeto: rejeitando o prazo estipulado para o projeto ou o orçamento previsto.
  • o cliente: negando atender a alguma demanda que possa provocar algum distúrbio no andamento do projeto (ou favorecer a ocorrência de um risco em potencial).
  • o time: barrando um pedido de férias, promoção, etc.

Novamente, as circunstâncias são várias e as consequências desse negativa (desse NÃO) podem ser catastróficas, senão, fontes de grandes dores de cabeça e longas discussões (e reuniões).

Por outro lado, simplesmente aceitar (dizer SIM) não é garantia da ausência de cefaléia e da necessidade, novamente, de muita conversa (e negociação) para deixar tudo nos trilhos novamente. Esse ‘inofensivo’ SIM pode, por exemplo, demandar um replanejamento de uma porção grande do projeto (já que você, por exemplo, teria aceitado antecipar uma entrega futura).

O TALVEZ parece, num primeiro momento, ser uma reposta um tanto quanto neutra, ou mesmo extremamente vaga e evasiva. Além disso, dependendo da maneira como esta resposta é colocada na discussão pode ser, imediatamente, entendida como um SIM ‘disfarçado’, ou então, como um NÃO ‘cauteloso’.

O TALVEZ deve ser utilizado como uma estratégia de ganhar um pouco mais de tempo para a análise e coleta de informações e deve sempre vir acompanhado de um plano de ação. Por exemplo, a resposta poderia ser: “Vou verificar a informação ‘xyz’ e solicitar uma posição do departamento ‘xpto’. Depois disso, até o meio da próxima semana, vou agendar uma reunião para fecharmos o assunto e decidir pela sua continuidade (SIM) ou NÃO.”.

Neste contexto, o TALVEZ é a ‘saída pela direita’, um subterfúgio estratégico para lhe permitir analisar melhor e ter mais dados, parâmetros e segurança para decidir (mesmo porque, em alguns casos, essa decisão pode exceder seu limite de autoridade e de responsabilidade).

Agora, embora você possa estar na posição da vidraça, onde é o alvo da maioria (senão de todas) as demandas, um bom artifício é procurar ‘virar o jogo’ a seu favor. Ou seja, com cuidado, lógica e estratégia, procurar fazer também perguntas, questionamentos e solicitações que, embora sejam pertinentes e visem atender de maneira mais completa (e profissional) a demanda inicialmente recebida, acaba por lhe proporcionar uma condição onde o lado requisitante, mesmo sendo a origem do ‘problema’ (demanda), é chamado a participar de forma ativa na solução.

Resumindo: o GP não deve, necessariamente, dizer SIM para tudo. Nem tampouco, dizer NÃO sempre. Pode até usar o TALVEZ como estratégia para ganhar tempo (e usar suas competências analíticas de forma mais estruturada). Entretanto, SEMPRE deve ter uma resposta (ou argumento) consistente, ou seja, mostrar que entende e está no controle da situação.

Giovani Faria

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