Assim como quando começamos a dar nossos primeiros passos, cambaleantes, segurando nas mãos de nossos apreensivos pais, empreender requer passos firmes, planejados, seguros e, principalmente, sempre em frente. Será?

No dia de ontem (7, Julho, 2011) tive a satisfação de participar junto com um número bastante expressivo de ‘Change Makers’ de um evento voltado para as empresas Start Ups no Meet Up Campinas Tech. Este evento, cujo tema central foi Investimentos, contou também com a participação de vários ‘Angels’ do Brasil e também de alguns ‘investidos’ (pessoas que obtiveram recursos financeiros de investidores para alavancar suas Propostas de Valor em um novo negócio).

Mas, ó tópico principal desse post é sobre o painel “Como fui investido” onde pudemos acompanhar narrativas divertidas, inusitadas, emocionantes, informativas e, principalmente, realistas do processo pelo qual três diferentes Change Markers – em estágios diferentes de desenvolvimento de seus negócios – passaram (ou estão passando) para a geração de diferenciais no mercado e, se estabelecerem.

Frustação, derrota, nervosismo, entre outras palavras não muito motivadoras, foram bastante citadas. Entretanto,  instatisfação com os resultados, força de vontade, garra e determinação também tiveram seus lugares de destaque para mostrar que a persistência, aliada com doses de competência e sorte, juntamente com uma visão diferenciada do futuro e uma enorme vontade de mostrar para o mundo que você estava certo (com sua ideia que revolucionaria o mundo dos negócios), podem dar ótimos resultados. Ou então, pelo menos, garantir uma vida agitada, cheia de desafios e realizações (depois das inúmeras tempestades).

O público, do qual fiz parte, acompanhava atento, interessado, ansioso por finalmente descobrir a fórmula mágica do sucesso. Ou então, pelo menos, saber quais palavras mágicas usar para sair dali, depois de um Pitch (quem em uma tradução livre se traduz em curto intervalo de tempo que você tem para apresentar e convencer alguém – os Angels – de que sua ideia, e principalmente você, tem potencial para receber aportes financeiros de altíssimo risco), com um contrato assinado e pronto para por seu plano de “dominar o mundo” em ação (nas palavras do Fabrício Bloisi, da Movile).

Esta troca de experiências e vivências ajuda a ter “Um passo a menos” (nas palavras da Aline Marcolino – da Tryoop) para caminhar rumo ao sucesso. Os puxões de orelha, berros, falta de educação e arrogância que, de acordo com os ‘investidos’ são características intrínsecas dos Angels (afinal, eles tem a for$a de que você precisa para trazer dividendo$ para vocês) e devem ser encaradas como fonte de energia para gerar mudanças. Mudanças na sua forma de pensar e agir para continuar empenhado no seu objetivo maior que é o de ver seu Modelo/Plano de Negócios, ou simplesmente, seu sonho, sair do papel e ganhar a casa dos consumidores (de preferência, milhões deles, ou seja, um produto/serviço ‘escalável’).

Business Model Generation, Canvas, Business Plan, Pitch, Four Steps to Epiphany, ROI, Proposta de Valor, Investimentos, Lucratividade, além de Chutômetro e Intuição,  entre outras palavras, foram bastante citadas durante o evento. Cada palavra, termo, citação, etc, levava a um turbilhão de novas ideias e novas possibilidades que estimulam à pesquisa os interessados pelo tema.

O evento contou também com a partipação internacionalmente tupiniquim do mineiro Reinaldo Normand, que contou um pouco de sua trajetória e vivência no Vale do Silício. Lá, o mundo Start Up está mais enraizado e a gama de investimentos (e investidores) é maior. Uma de suas frases que me chamou a atenção foi: “Quando você vai atrás de dinheiro, os Angels te dão conselhos e, quando você vai atrás de conselhos eles te ‘dão’ dinheiro”. Ou seja, procure por pessoas mais experientes e peça conselhos sobre a sua proposta e, potencialmente, você pode colher outros frutos.

Em meio a tudo isso comecei a tentar relacionar este tema com a Gestão de Projetos. Então, ‘começando pelo começo’, e partindo da definição de que ‘Projeto é um esforço temporário empreendido para criar um produto, serviço ou resultado exclusivo’, fica interessante analisar as diferentes dimensões do gerenciamento de projetos quando este ‘deliverable’ trata de algo tão instável quanto a geração de ideias e propostas de valor, possivelmente, inexistentes (pelo menos para um tipo de produto/serviço, ou mercado, por exemplo).

Pois bem, a declaração inicial de escopo trazendo ‘Dominar o mundo revolucionando o mundo dos negócios’, além de ambiciosa, abre muitos questionamentos sobre o escopo desse projeto. E convertê-la em diferentes entregas torna-se uma tarefa árdua que vai exigir dedicação integral (24 x 7).

Durante as declarações dos ‘investidos’ ficou claro que a formação da equipe é um fator bastante decisivo no estabelecimento de uma relação de confiança entre os Sponsors (Angels) e  Gerente de Projeto (CEO @My Start up). Foi fator comum mencionar que, além de capacitação – conhecimentos e habilidades – o relacionamento pessoal entre as partes é de extrema importância para esta empreitada. Equipes multidisciplinares com competências complementares (técnicas, administrativas, vendas, etc.) agregam mais valor ao projeto e ajudam na sua Valoração.

Outro tópico bastante relevante na gestão de projetos é a comunicação. Este também foi um fator de sucesso para garantir o investimento no projeto uma vez que pessoas com orientações diferentes (técnicos e cientisttas defendendo sua implementação diante de homens – e mulheres – de negócio utilizando ‘idiomas’ diferentes). Para nós, gerentes de projeto, PMBoK ou Manifesto Ágil, entre outras coisas, buscam uniformizar termos e definições para melhorar a comunicação entre as partes. E aqui, no mundo Start up, assim como no mundo da gestão de projetos, é tarefa do empreendedor (GP) garantir que esta comunicação seja fluida e efetiva. Isto é, é preciso saber converter algoritmos, reações químicas, mudanças genéticas, métodos matemáticos em Retorno sobre Investimento (ROI), Proposta de Valor, Clientes, Mercados, etc. Tarefa difícil, mas, não impossível.

Para as aquisições, bem, é preciso definir o ‘tamanho’ do orçamento. Chute? Métodos matemáticos? Ciências ocultas? Não importa! O que realmente vale é o alinhamento entre as partes. Todos precisam estar confortáveis com esta parte do plano, precisam acreditar que tem algum embasamento. Claro que, em um futuro não tão distante, estas estimativas podem (e devem) ser revistas, refinadas e aprimoradas. Afinal, a proposta inicial pode ter mudado, o mercado pode ter mudado, o timing pode não estar adequado. Make or buy é uma questão de momento, capacitação e capacidade (financeira, estrutural, etc.).

Para fechar o assunto, um dos pontos mais presentes no meu entendimento é a Gestão de Riscos. De um lado, os investidores (os anjos) que querem resultados com o seu portfolio de projetos. Do outro, o empreendedor, com sua start up, travando uma batalha entre sua ideia, aquilo que acredita, e a realidade do mercado (as necessidades dos consumidores, as dificuldades com as parcerias e a ameaça dos concorrentes).

Este caldeirão fervente, se temperado (análises, investimentos, trabalho árduo e pitadas de sorte) adequadamente (doses e momentos certos) pode trazer resultados de qualidade e muito saborosos.

Links:

Post: Business Model Generation no Campinas Inova 2011

Vídeos: Programa Mundo S/A (Canal Globonews)

Unicamp: Notícia.

Innoveur: I CampinasTECH Meetup Boosting Angel Investments in Brazil

Giovani Faria

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